Brasília - Uma semana depois do ataque a brasileiros no Suriname, o governo surinamês prendeu 41 suspeitos, inclusive o assessor pessoal do prefeito da cidade de Albina (a 150 quilômetros de Paramaribo, capital do país vizinho), onde ocorreram as agressões. À Agência Brasil, o embaixador brasileiro em Paramaribo, José Luiz Machado e Costa, descartou a possibilidade de motivação política na violência contra os brasileiros. Segundo ele, foi um ato de “vandalismo e criminalidade comum”. O diplomata reiterou o esforço do governo surinamês em apurar o caso e punir os responsáveis.
“A prisão do assistente pessoal do prefeito de Albina mostra o comprometimento do governo do Suriname em tomar providências e resolver o assunto”, disse o embaixador. “Não há ação orquestrada com motivação política alguma. O que houve foi um ato de vandalismo e criminalidade comum”, afirmou.
Costa tem desencorajado os brasileiros de retornarem a Albina. Segundo ele, o ideal é aguardar a orientação do governo do Suriname. “Os brasileiros só devem voltar a Albina depois que o governo do Suriname der garantias de que há controle absoluto da situação naquela região. Por isso, estamos desencorajando quem queira retornar para lá”, disse.
Na madrugada do dia 24, cerca de 300 “marrons”, quilombolas (descendentes de escravos) do Suriname, atacaram um grupo de 200 estrangeiros, entre brasileiros, chineses e javaneses que viviam em Albina.
Durante o ataque, houve agressões físicas, estupros e depredações. Há suspeitas de pessoas desaparecidas e mortas. Segundo relatos de brasileiros que vivem no Suriname, os quilombolas costumam matar suas vítimas e jogar os corpos nos rios e matas fechadas. Mas o Itamaraty não confirma.
Desde o ataque surgiram novas ameaças e, por questão de segurança, o governo do Suriname reforçou o policiamento em todas as áreas em que havia risco. Os brasileiros foram retirados de Albina e são orientados a evitar algumas regiões.
Chegada de novo grupo
Um grupo de 32 brasileiros, formado por 22 homens, nove mulheres e uma criança, que estavam no Suriname, desembarcou em Belém (PA) na noite de anteontem. Os brasileiros viajaram em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), enviada pelo governo, para dar assistência especial aos cinco feridos – dois deles mais graves, embora sem risco de morte. Também foi autorizado o embarque de todos aqueles que demonstraram interesse em retornar ao Brasil
A prioridade foi para os cinco feridos, pois dois deles - Raimundo Silva Pereira e Francimar Nascimento Pinheiro – eram os mais graves. Um deles corre o risco de ter o braço amputado, em decorrência de ferimentos causados por cortes de facão, e o outro teve a mandíbula fraturada.