O Armazén Bar começa o ano com tributo a um dos roqueiros brasileiros mais irreverentes. Hoje a noite é para relembrar Cazuza, um poeta que marcou seu nome na história da música brasileira pela audácia, senso crítico e político, pelo jeito ácido e doce de expor seus dramas cotidianos, noitadas intermináveis, grandes amores, amores desfeitos e até sua doença, de que, até então, não se falava.
Mostrou sua cara e pediu um Brasil melhor para todos, sem fome, sem preconceitos, e foi à praça pública com um grito de piedade aos caretas e covardes. Agora a poesia de Cazuza volta num tributo à altura, com todos os riffs e grooves a que ele tem direito.
Não é uma homenagem póstuma, já que sua poesia não morre, é sim uma reverência, diz o material de divulgação da casa noturna. Bastou um rápido encontro dos músicos Fernando Bonini, Marcelo Chicarelli, Ricardo Prado e Walter Claro para que se delineasse o que seria o tributo a Cazuza: um show com os grandes sucessos. “A escolha das músicas foi tarefa difícil”, afirmam.
“Se dependesse somente dos maiores sucessos, daria para fazer um show de, no mínimo, três horas. A escolha foi criteriosa. Tem um pouco de blues, bossa-nova e uma grande dose de rock’n roll passando pela época do Barão Vermelho e pela brilhante carreira solo. A diferença de estilo dos integrantes em nada atrapalhou o processo de criação do show, muito pelo contrário”, afirmam.
Walter Claro, guitarrista da banda Madra, com seu estilo rock clássico, garante a rítmica, solos com muito feeling e pegada. Fernando Bonini, multi-instrumentista, nessa empreitada toca baixo e com o amadurecimento musical busca “simplicidade”, mas não economiza no estilo.
Ricardo Prado, o baterista, é figura carimbada no circuito alternativo, bate forte, mas quando necessário sabe ser suave. Marcelo Chicarelli, o vocal, não tem estilo definido, Canta de Caetano Veloso a Sex Pistols. Nesse trabalho teve facilidade por ter o mesmo timbre de voz de Cazuza, o que veio muito a calhar.
A proposta da banda não é fazer cover, mas mesmo sem os teclados e metais, houve preocupação em manter os arranjos originais.
O que se verá e ouvirá nesse show, avisam, é um Cazuza revitalizado, com a voz e o som mais forte do que nunca, fazendo ecoar não só seu grito de contestação e piedade, mas também todo amor que houver nessa vida.