08 de julho de 2026
Geral

JC passa a adotar reforma ortográfica

Por Tisa Moraes | Com Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

A partir de hoje, o Jornal da Cidade passa a adotar a grafia da língua portuguesa determinada pelo Acordo Ortográfico aprovado em 1990 e assinado em setembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora haja um cronograma com tolerância de quatro anos para aplicação do acordo (até dezembro de 2012 - período em que as duas formas de escrever serão aceitas), o JC adota as novas regras após o primeiro ano em que passaram a vigorar oficialmente.

“Como a reforma teve percalços e ajustes no primeiro ano de sua implantação, decidimos esperar até que as convenções se consolidassem. Daí termos adotado um ano após. Nesta edição, para marcar nossa adesão oficial, encartamos uma tabela prática com dicas sobre as principais dúvidas, que será de grande utilidade a nossos milhares de leitores em seu cotidiano”, informa o gerente de produtos editoriais do JC, João Jabbour

De acordo com o professor de português Darvino Concer, os veículos de comunicação que optaram pela cautela foram oportunos porque, deste modo, reduziram-se as chances de cometer incoerências na aplicação do acordo, embora ressalte que as mudanças ainda não podem ser dadas como definitivas. “Neste momento ainda há adequações a serem feitas e detalhes a serem amadurecidos. Estamos todos aprendendo e é preciso tranquilidade para assimilar as novas regras”, comenta.

Além do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau (região administrativa especial da China que também fala o português) assinaram o acordo. Com as mudanças, o objetivo dos governos dos países foi simplificar e unificar as grafias da língua portuguesa, ampliando a cooperação comercial e social entre essas localidades. Ainda que considere a reforma tardia e não tão abrangente quanto deveria, Concer destaca que as alterações são importantes para o desenvolvimento dos países lusófonos e ressalta o papel da mídia na difusão das novas normas. ‘O fato de um veículo de comunicação de grande abrangência como o Jornal da Cidade começar a aplicar o acordo contribui para a fixação e adoção das mudanças ortográficas. Aos poucos, os leitores terão uma memória visual das novas grafias e absorverão as regras com naturalidade’, observa o professor. O Brasil já passou por duas grandes reformas semelhantes: em 1931 e 1971.

Concer explica que o acordo de 1990 demorou 18 anos para ser adotado em razão da resistência de alguns países, principalmente Portugal, que temeram pelo prejuízo de suas identidades nacionais.

Ele também lembra que a precaução dos lusitanos foi provocada, em certa medida, pelo fato de o Brasil ter a maioria dos falantes da língua e porque as alterações propostas incluíam 1,2% das regras usadas em Portugal e apenas 0,5% das utilizadas em território verde-amarelo. “Porém, as novas regras não tratam da liderança de qualquer um dos países sobre outros, mas uma maneira encontrada para tornar forte a língua falada por nós todos”, frisa.

Para o professor, o estabelecimento de uma unidade ortográfica é de extrema importância se os países lusófonos quiserem que a língua portuguesa ganhe destaque mundial. “É evidente que o status de uma língua unificada concede vantagens comerciais e científicas para os países envolvidos”, analisa.

Atualmente, a sexta língua mais falada do mundo ainda não conseguiu entrar para o rol das línguas oficiais de órgãos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU). Um dos motivos é o fato de que todos os documentos publicados em português precisam ser disponibilizados em duas vias: uma com o português brasileiro e outra com o português de Portugal.

Quanto à adaptação às mudanças, Concer acredita que ela se dará sem grandes sobressaltos, já que o acordo muda uma parcela mínima do percentual falado da língua. “As pessoas criam uma certa resistência e dizem que já tinham aprendido tudo e agora terão de aprender tudo de novo. Mas não é verdade. São poucos o que realmente podem dizer que dominam totalmente a língua portuguesa”, declara.

Embora, no início, a assimilação do novo conteúdo possa parecer difícil, ele avalia que o aprendizado pode ser facilitado à medida em que as pessoas se dispuserem a entender as novas normas.

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Tabela

A Tabela da Reforma Ortográfica, elaborada pelo professor Darvino Concer em parceria com a empresa Bauruinfo, visa oferecer aos leitores um meio rápido e simples de se familiarizar com as novas regras da língua portuguesa.

“Queríamos uma coisa objetiva, fácil de manusear e visualizar. Além disso, buscávamos algo que chamasse a atenção pela qualidade”, explica Concer, que é consultor motivacional da Bauruinfo. Para elaborar a tabela, ele teve de estudar mais de 50 manuais de português.

A tiragem inicial da tabela é de 50 mil, dos quais 30 mil estão encartados, hoje, no Jornal da Cidade. A Bauruinfo disponibilizará gratuitamente uma versão online em sua página na Internet (www.bauruinfo.com.br). Interessados também podem solicitar de graça a tabela digital pelo email bauruinfo@ bauruinfo.com.br.

A partir de amanhã, a empresa passará a distribuir a tabela impressa também em sua sede, na rua Gerson França, 9-49. O produto também estará disponível gratuitamente para empresas, que poderão fazer os pedidos pelo telefone (14) 3366-3500.

De acordo com o proprietário da Bauruinfo, Cleber Paes de Almeida, a distribuição da tabela integra as ações de responsabilidade social da empresa. “É extremamente importante aproximar o maior número possível de pessoas da reforma ortográfica”, afirma. A intenção dele é fazer com que a tabela chegue até as universidades de Bauru e região.

“Recebemos clientes de todos os níveis sociais e culturais. Esse iniciativa é uma forma de levar conhecimento aos nossos consumidores”, explica Elvira Regina de Almeida, esposa de Cleber e também proprietária da Bauruinfo.