11 de julho de 2026
Política

Pais acampam em frente a escolas estaduais para tentar transferência

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Indignados ou conformados, vários pais passaram a madrugada de hoje acampados em frente a escolas estaduais de Bauru num esforço para conseguir a transferência dos filhos para instituições famosas por oferecer educação de qualidade. Até as 17h de ontem, 11 deles já formavam fila em frente à Escola Estadual Mercedes Paes Bueno, no Alto do Higienópolis.

O primeiro a chegar, Belmiro Mariano instalou-se às 10h em frente ao portão principal. Com 70 anos, não se intimidou com os cartazes afixados no portão, que advertiam sobre a falta de vagas para todas as séries. Os textos também informavam que a escola não se comprometia com as inscrições, que seriam feitas desde que os responsáveis pelos alunos trouxessem comprovante de residência.

“Quero transferir meu neto de 13 anos para a 8.ª série daqui. Ele estuda no Jardim Carolina, mas aqui é bem melhor. Prefiro que ele estude pela manhã, mas se conseguir à tarde, tudo bem”, comenta. Comunicativo, fez amizade com um dos pais da fila, que veio de Kombi. Belmiro não descartava a possibilidade de trocar seu banquinho pelo estofado do veículo, onde poderia descansar algumas horas.

Já o servidor público municipal Valdecir de Oliveira Galvão se acomodou numa barraca. Estava acampado no local desde antes das 12h. Seu objetivo era matricular a filha que fará 7 anos na escola Mercedes Paes Bueno. O filho de 13 anos já estuda na instituição. A família mora no Núcleo Bauru 22. “A gente tenta, embora tenham informado que não há mais vagas”, diz. No entanto, a mesma informação foi prestada no ano passado, quando Elaine Marion conseguiu matricular o filho.

Neste ano, como em 2009, ela voltou para a fila, mas desta vez para tentar vaga para o rebento que cursará a 1.ª série do ensino fundamental. Embora more perto da escola, ela torcia pela colaboração de ‘São Pedro’, assim como outros pais. Porém, a instabilidade do tempo não foi o único assunto entre eles. Muitos demonstram indignação por terem de se submeter à situação para garantir o direito à educação de qualidade.

Mais solitário, o ajudante de obras Adelson Rosa de Freitas montou uma barraca de lona em frente à escola estadual Silvério São João, Vila Universitária. Ele chegou ao local a 0h de ontem. Como não havia ninguém, voltou às 6h e se revezava com a mulher. Trouxe alimentos, um colchonete e jornal para ler. “Normalmente, o pessoal chega depois das 18h. Acho que vou conseguir transferir meu filho de seis anos para o 2.º ano. Como minha esposa trabalha aqui perto, é importante para a nossa família”, comenta.