O preço das verduras subiu até 20% neste começo de ano. A maior vilã para o bolso do consumidor é a chuva. A quantidade de precipitação deste verão está arruinando os canteiros e impedindo produtores de fazer o manejo necessário para a produção. O resultado é hortaliça mais cara nas prateleiras.
Choveu muito nas últimas semanas. A precipitação acumulada chegou a 319,5 milímetros, de acordo com o registrado pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O montante representa mais que o dobro do registrado em dezembro de 2008 e índice recorde dos últimos nove anos, quando o órgão passou a compilar os dados. E somente na primeira quinzena de janeiro, o total de chuva acumulada na cidade foi de 29,5 milímetros.
Além de arruinar canteiros, que viram lama e se “dissolvem”, a chuva proporciona a proliferação de micro-organismos que acabam com a qualidade da produção. Segundo o engenheiro agrônomo Renato Sato, como não há possibilidade de efetuar pulverização da horta, nem fazer o manejo no momento adequado, a produção chega a cair pela metade. “Não há tempo para fazer as medidas necessárias”, ressalta.
Ele explica que, num canteiro, as hortaliças são plantadas em quatro fileiras. Com a chuva, as laterais do canteiro escorrem, acabando com pelo menos duas linhas de plantas. “Além das perdas, as que conseguimos colher não estão 100%”, avalia. “Nem na estufa conseguimos produzir. Como está muito nublado, as plantas só crescem para cima”, observa.
Sem ter produção suficiente para atender os clientes, ele explica que é necessário buscar verduras em outras regiões. “De um jeito ou de outro, temos que fazer as entregas diariamente. Então, vamos buscar com produtores até fora do Estado”, conta. E isso encarece o alface, a rúcula ou o agrião que chegam às prateleiras dos supermercados. “Para nós, o aumento é de até 70% no custo”, diz.
No entanto, esse valor não é repassado totalmente aos consumidores. Alexandre Fátimo dos Santos, do setor de compras de uma rede de supermercados de Bauru, explica que para não encarecer demais o preço das hortaliças, a empresa firma parceria com os produtores. Dessa forma, o cliente teve que arcar com um aumento de 20% no preço das verduras.
“A chuva prejudicou muito os agricultores, alguns perderam a produção inteira. E para nós, a maior dificuldade é encontrar produto com qualidade na região”, observa. Santos explica que para atender a rede, os agricultores buscam hortaliças em outros lugares do Estado e isso acaba encarecendo o produto. “Para não repassar tudo para o consumidor, temos uma boa parceria”, observa. Para ele, se não fosse esse bom relacionamento, o preço das verduras estaria bem mais alto.
A expectativa é que com o final da época de chuva, que deve acontecer nas próximas semanas, a produção volte a aumentar e o valor das folhagens volte a se estabilizar.
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Atraso
Além do encarecimento da produção de hortaliças, o bauruense poderá ter falta de produtos por mais tempo. O engenheiro agrônomo Renato Sato explica que os produtores não estão conseguindo cultivar mudas, o que retardaria ainda mais a normalização da produção. “A falta de sol não deixa as mudas vingarem. O alface, por exemplo, tem um ciclo de 40 dias após ser plantado no canteiro. Como não se consegue formar a muda dele, vamos ficar uns 60 dias sem uma boa produção”, calcula.
Para ele, a quantidade de chuva já deve ser reflexo do aquecimento global. “Não é apenas chuva em excesso. É uma chuva bastante pesada. Coisa que nunca tinha visto na minha vida”, observa.