07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

• Maturidade

A quarta edição da Conferência das Cidades indica maior maturidade da comunidade bauruense para delinear como Bauru será nos próximos anos e décadas. O exercício de debater tem seus percalços porque agrega extratos sociais e interesses de todo naipe em busca de um resultado que mais se aproxime do ideal. Do ponto de vista global, o documento reforça antigos problemas.

• Os problemas

O documento final vai repetir, entre outros pontos, que o aeroporto deve ser transformado em Zona Especial (ZE), a prefeitura tem de definir a política de entulho, instalar o Instituto de Planejamento (IP) e organizar a política de habitação, além da defesa por compensação pela instalação de presídios por aqui.

• Conferência

O bastidor da quarta edição da Conferência em Bauru, finalizada ontem, na ITE, retratou bem o título “Avanços, Dificuldades e Desafios na Implementação da Política de Desenvolvimento Urbano”, e o lema “Cidades para Todos e Todas com Gestão Democrática, Participativa e Controle Social”.

• Tanquinho, não!

Na plenária de ontem, ocorreram momentos curiosos para se entender como se dá uma negociação final de um documento que espelhe o pensamento de mais de 370 mil habitantes. De repente, um delegado rejeitou a expressão “tanquinho”, o eletrodoméstico lava-roupas, no texto final aprovado em plenário.

• Efeito da palavra

O delegado argumentou que o uso de “tanquinho” expressaria preconceito social por designar como dono do eletrodoméstico alguém pobre, em tese. Veio então a sugestão de promover o “tanquinho” para o termo “Brastemp”. O item em questão tratava da destinação correta de material inservível, como eletrodoméstico sem uso que vira lixo jogado a esmo. A solução foi subtrair o termo da redação final.

• Voto polêmico

Na eleição, ontem, dos delegados que devem representar os movimentos sociais na edição estadual da Conferência das Cidades ocorreu uma polêmica em torno da anulação do voto de uma representante menor de idade que integra a União da Juventude Socialista (UJS), segmento do movimento de estudantes secundaristas. Integrantes da UJS saíram da plenária contrariados, apesar da anulação do voto da estudante não prejudicar sua representação entre os delegados dos movimentos sociais.

• Fora de cumbuca

Alguns delegados dos movimentos sociais formalizaram uma reclamação ao coordenador da Conferência, o secretário de Planejamento Rodrigo Said, em relação à validade de uma adolescente ser delegada. Said deliberou pela manifestação da Comissão Organizadora da Conferência Municipal de Bauru. A Comissão optou por desconsiderar o voto da delegada.

• Tese da anulação

Após a plenária final, o integrante da UJS João Batista Marques Moura comentou à coluna que entende como inconstitucional a anulação do voto por se tratar de desempenho de cidadania, diferente do que seria votar, por exemplo, para eleger presidente da República. Os representantes da UJS definiram o fato como uma injustiça contra a entidades estudantil e também lembraram que o edital de convocação da Conferência não previa o impedimento da participação de menores de idade como delegados.