08 de julho de 2026
Geral

Comer na rua exige pesquisa e cuidados

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Imagine aquela fome de leão. Longe de casa, em plena hora do almoço, e onde não se conhece nenhum bom restaurante, você tem duas opções: aguenta a fome até encontrar um local confiável ou apela, sem medo de ser feliz, para o primeiro bar ou ambulante que encontra pela frente? Ou, então, um restaurante por quilo lhe sorri do outro lado da rua.

Ávido em fazer uma refeição completa, você carrega o prato, que se transforma num ‘Everest’ de comida. Prestes a devorar a enorme fatia de lasanha, a desagradável surpresa: desenrolam-se do garfo centímetros de cabelo que se misturava ao molho. O que irrita mais: a saciedade interrompida ou a falta de asseio?

Para muitos, apesar da baixa confiabilidade de alguns estabelecimentos, o estômago ronca forte, obrigando as pessoas a encher o peito de coragem numa legítima aventura gastronômica.

“Estava com minha família no Calçadão e, sem tempo, precisava trabalhar. Moro em Pirajuí e geralmente almoço em casa. Mas, nesse dia, minhas filhas estavam com fome e na pressa apelei para um bar. Tive que pegar os salgados, mas vi que não tinha higiene. Pedi copos de plástico porque os de vidro eram nojentos”, testemunha o vigilante Anderson Nunes de Azevedo.

“Normalmente, como em casa, mas às vezes acontece da gente ir aos restaurantes por quilo. Nesses casos, prefiro os alimentos cozidos e evito saladas. Mas já vi garçom lamber o dedo e passar no prato e uma vez fui ‘premiada’ com uma lagartinha dentro da couve-flor”, recorda a artesã Mônica Zamonaro, durante desjejum em lanchonete da Batista. “Aqui é legal, mas, em geral, em cada dez restaurantes ou lanchonetes, quatro ou cinco são totalmente anti-higiênicos”, avalia.

Mas não é todo mundo que encara os perigos ocultos da comida na rua: “Não vou morrer se não comer na hora, mesmo com fome”, assegura a estudante Brenda de Oliveira Bruno. “Se vejo algo errado, espero e procuro outro lugar”, acrescenta.

Ao longo de 30 anos como fiscal da Vigilância Sanitária Estadual, Adevaldo Bispo Varjão é testemunha de verdadeiros absurdos em cozinhas da cidade e região. Hoje, o experiente fiscal da repartição estadual - que passou a batuta das vistorias em estabelecimentos comerciais para a representação municipal da Vigilância - afirma que houve avanços, apesar de ainda existirem irregularidades. “Na região, falou-se em fábrica clandestina de palmito, a gente logo lembra de Pirajuí”, exemplifica o fiscal, citando recente apreensão do produto no município.

Sobre cenas chocantes nos estabelecimentos, ele recorda o tempo em que a Vigilância Estadual fazia esse tipo de autuação. “Há muitos anos, um chinês dono de restaurante da Rodrigues Alves tinha a cozinha imunda, com esgoto vazando na pia. Na verdade, nunca foi uma cozinha. O restaurante foi lacrado definitivamente”, lembra.

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‘Conheça o nosso banheiro’

Alguns procedimentos podem evitar com que uma refeição ou lanche se transformem em dor de cabeça, ou, nesse caso, de barriga. O biomédico Roberto Martins Figueiredo, ensina que, mais importante que as cozinhas dos restaurantes, exitem outros itens a serem checados por leigos. “Sou contra aquelas placas com os dizeres ‘visite a nossa cozinha’. O freguês pode até observar a limpeza de forma geral, mas não saberá distinguir se o ambiente realmente está livre de contaminação”, acentua.

“Em vez de ir à cozinha, que seja feita uma visita ao banheiro do restaurante. Não dá para imaginar uma casa toda limpa e um quarto sujo. Se o estabelecimento não é capaz de manter o banheiro limpo, sem mau-cheiro no horário de pico, também não tem as melhores condições de higiene quanto ao manuseio e preparo dos alimentos”, orienta.