09 de julho de 2026
Internacional

Sucessão chilena deve ser definida hoje


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Santiago - Estádio Nacional do Chile, 16 de dezembro de 2009. O ex-presidente Eduardo Frei (1994-1999) lança sua campanha ao segundo turno diante de 5 mil militantes, funcionários públicos e dirigentes sociais. “Quero saudar os presidentes de partidos’’, diz, e o público responde com uma vaia que se tornou o fato político da noite.

A cena resume a sucessão presidencial que os chilenos definem hoje. Independentemente do resultado, que promete ser o mais renhido dos últimos anos, a eleição foi marcada pela crise da Concertação, a aliança de centro-esquerda que comanda o Chile desde o fim da ditadura (1973-1990) e guiou o país por 20 anos de logros econômicos e sociais.

Após somar apenas 29% dos votos no primeiro turno - o pior resultado presidencial da Concertação -, Frei acirrou a disputa no segundo turno, mas ainda vê a direita chegar como favorita pelas mãos do moderado Sebastián Piñera, bilionário que perdeu o pleito de 2005 para Michelle Bachelet.

Enquanto a direita se uniu em torno de Piñera, vencedor do primeiro turno com 44%, a centro-esquerda pela primeira vez foi dividida em três nomes no primeiro turno. Entre eles Marco Enríquez-Ominami, 36 anos, deputado dissidente da Concertação que, sem partido, teve 20% dos votos (1,3 milhão).

No segundo turno, a tônica da campanha foi a busca pelos votos de Ominami. Frei e Piñera assumiram propostas e cooptaram membros da campanha do deputado.

Diante da ameaça de derrota da Concertação, o governo Bachelet, que ostenta a maior aprovação da história recente do país (cerca de 80%), deflagrou uma ofensiva no segundo turno. Cedeu ministros à campanha de Frei e reforçou o discurso em temas como direitos humanos para tentar reagrupar a esquerda.

A estratégia mostrou resultado: pela última pesquisa Mori, apenas 1,8 ponto separavam Piñera e Frei - empate técnico.

Embora seja a eleição mais importante nos últimos anos, por apostar o futuro da coalizão política mais exitosa do país, a campanha não animou os chilenos. Reflexo de um certo consenso sobre os rumos do país - Frei e Piñera não defendem mudanças radicais -, mas também de desencanto com a política. Exemplo: como o registro eleitoral não é obrigatório (só precisa votar quem está inscrito), no primeiro turno os votos válidos representaram apenas 56% da população.

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Relações com o Brasil

Santiago - O cenário de incerteza sobre quem será o novo presidente do Chile não afeta as relações políticas e econômicas com o Brasil. A análise é do embaixador do Brasil no Chile, Mario Vilalva. Para ele, a tendência é de ampliação das relações bilaterais, uma vez que há interesses de ambos os lados, qualquer que seja o presidente eleito hoje. As informações são da Agência Brasil.

“A tendência é de ampliação. Se o vitorioso for o candidato da oposição [Sebastián Piñera], ele é um empresário bem sucedido e capaz de reconhecer o que é importante para seu país. Se o eleito for o ex-presidente [Eduardo Frei], ele conhece bem o cenário latino-americano e o quanto é fundamental manter e ampliar essas relações”, disse o embaixador.

Hoje, 9 milhões de chilenos irão às urnas para escolher entre os candidatos da oposição, Miguel Sebastián Piñera (Alianza), de centro-direita, e o governista, Eduardo Frei (Concertación), de centro-esquerda. Pelas pesquisas recentes, Piñera tem uma ligeira vantagem sobre Frei. O oposicionista aparece com 50,9% enquanto o ex-presidente tem 49,1%. As eleições no Chile serão realizadas de 7h às 16h. A expectativa é que o resultado seja conhecido à noite.

Atualmente, o país latino-americano que mais recebe investimentos do Chile é o Brasil. Em 2008, foram investidos cerca de US$ 9 bilhões. Os chilenos compram petróleo, automóveis, ônibus e aparelhos celulares dos brasileiros. O Brasil investiu aproximadamente US$ 2 bilhões no Chile. Dos chilenos, os brasileiros compram cobre, salmão, frutas e vinho.

O Brasil é o principal parceiro econômico do Chile na América Latina e exerce o papel fundamental de interlocutor com os argentinos e peruanos, uma vez que os chilenos têm divergências históricas com esses dois vizinhos.