Porto Príncipe - Uma forte réplica - tremores de menor intensidade que seguem um terremoto - de magnitude 4,5 atingiu ontem a capital do Haiti, Porto Príncipe, interrompendo os esforços de busca pelas vítimas do terremoto de magnitude 7 que atingiu a cidade na última terça-feira. Não há informações sobre novos desabamentos ou vítimas causadas pela réplica.
O novo tremor foi registrado às 13h59 pelo Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS), com epicentro a 10 km de profundidade e a 25 km de Porto Príncipe.
O terremoto de terça-feira foi registrado às 16h53 (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros da capital.
As equipes estavam tentando libertar os sobreviventes presos sob os escombros do hotel Montana quando a réplica ocorreu. Segundo a agência de notícias Associated Press, em apenas cinco minutos as buscas foram retomadas.
O geofísico Paul Caruso disse que o novo tremor não pareceu forte o suficiente para causar muito dano, mas mesmo um tremor menor pode causar o desabamento de prédios já afetados pela tragédia de terça-feira.
Ainda não há um dado preciso sobre o número de mortos. A Organização Pan-americana de Saúde, ligada à ONU, diz que pode ter morrido cerca de 100 mil pessoas. Já o Cruz Vermelha estima o número de mortos entre 45 mil e 50 mil. Nesta sexta-feira, governo do Haiti afirmou estimar em 140 mil o total de vítimas.
Cidades destruídas
Equipes de emergência da ONU (Organização das Nações Unidas) visitaram as cidades ao oeste da capital haitiana, Porto Príncipe, para avaliar a extensão dos danos causados pelo terremoto. Segundo a organização, além de Porto Príncipe, as cidades de Gressier, Carrefour e Leogane também foram devastadas pelo tremor - nesta última, a destruição chega a 90%.
Até o momento, acreditava-se que Porto Príncipe era a cidade mais afetada pelo tremor. Grande parte dos esforços de busca por sobreviventes, atendimento a feridos e ajuda humanitária foram focados na capital.
A equipe da ONU que visitou Leogane, uma cidade de 134 mil habitantes, afirmou que esta é a zona mais afetada, com 80 a 90% dos edifícios danificados.
“‘Segundo a polícia local, entre 5.000 e 10 mil pessoas morreram na área’, afirmou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha).
Byrs afirmou ainda que a maioria dos corpos ainda está sepultada sob os escombros e que a cidade precisa urgentemente de equipes médicas, alimentos e barracas.
No momento, uma das principais preocupações da ONU é com o transporte, o colapso no sistema de comunicação e a falta de gasolina.