08 de julho de 2026
Internacional

Doadores evitam o envio direto de dinheiro a governo haitiano


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Genebra - Países, agências internacionais, entidades de caridade, empresas e indivíduos estão evitando doações diretas em dinheiro ao governo haitiano, mostra a análise detalhada dos números do Serviço de Rastreamento Financeiro, banco de dados de doações humanitárias globais mantido pela ONU.

Indagado sobre a questão do monitoramento da aplicação dos fundos, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ontem que se trata de uma necessidade e que a ONU decidirá ainda como fazê-lo.

A administração de recursos para o Haiti tem provocado questionamentos. O colunista conservador Andrés Oppenheimer, do “Miami Herald’’ exortou nesta semana a criação de uma junta independente que monitore o uso da verba.

Até agora, 119 grupos doaram efetivamente cerca de US$ 160 milhões em dinheiro e suprimentos às vítimas do terremoto. O número sobe em US$ 140 milhões se consideradas promessas não firmadas como compromisso, mais do que todo o montante de US$ 258,4 milhões doados durante 2009 em 70 desastres naturais.

Mas apenas três deles -os governos da Suíça e da Guiana e o Banco Interamericano de Desenvolvimento- se propuseram a dar dinheiro em espécie ao governo em Porto Príncipe.

Há padrões. Na maioria dos casos, as doações são canalizadas por agências da ONU (opção feita pelo Brasil, por exemplo, que entregará seus recursos nas mãos da Ocha, braço da ONU para ajuda humanitária) ou por agências humanitárias mantidas pelo próprio país doador (caso dos EUA, que administra a verba pela Usaid).

Empresas e indivíduos normalmente fazem suas doações por instituições de caridade e ONGs -os atores Angelina Jolie e Brad Pitt prometeram seu milhão aos Médicos Sem Fronteira, e a General Motors, “a ONGs”, genericamente.

De qualquer forma, todos os casos de doações diretas ao governo haitiano listados (com exceção dos três já citados) são em remédios ou equipes de resgate e atendimento às vítimas. Mesmo a entrega de alimentos e cobertores é administrada por agências humanitárias nacionais ou internacionais.

Capacidade estatal

Arrecadar dinheiro não tem sido, até o momento, um problema. A ONU estima precisar para o socorro imediato de cerca de US$ 560 milhões. As promessas oficiais e não oficiais já superam os US$ 300 milhões, e pedidos de doações pipocam em sites de órgãos internacionais e empresas como a Apple.

O temor recai sobre o uso dos fundos. A administração de verba humanitária por agências da ONU ou agências nacionais é normalmente a opção preferida na maioria dos desastres.

Uma análise dos dados compilados pela ONU mostra que os únicos países onde o governo é praticamente barrado de administrar a ajuda humanitária são aqueles onde o Estado é frágil e não alcança todo o território, como Somália e Iraque.