09 de julho de 2026
Bairros

Ruas estreitas e esburacadas dificultam trabalho

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Agarrados a barras de metal, os coletores de lixo saem à caça de dejetos. A jornada começa na avenida Pedro de Toledo, próximo à antiga Estação. O ex-lavrador Rogério da Silva Reis, 35 anos, é o encarregado de saltar do caminhão para apanhar os sacos com lixo. Ele tem de ser ágil. Se marcar bobeira, o veículo terá de ficar parado à sua espera, causando um verdadeiro nó no já complicado trânsito da região.

Quando o caminhão adentra as vias estreitas e tortuosas da Vila Falcão, Rogério e um outro companheiro desaparecem. Foram percorrer as ruas à pé, para amontoar as sacolas de lixo em pontos estratégicos das ruas. Com isso, evitam que os dois companheiros que permaneceram no veículo tenham de perder tempo à procura dos resíduos.

“Desse jeito o serviço rende mais”, afirma o coletor Cléo Vendramim, 26 anos. O fato de ele e o colega Luiz Edgard Varella, 28 anos, irem no caminhão não significa que terão uma vida mais “mansa”. Tão logo avistam um amontoado de sacos com lixo, os dois precisam descer rapidamente do caminhão, tomando cuidado para não pisarem em falso ou tropeçarem em algum buraco.

Às vezes, os moradores colocam tanto lixo nas embalagens, que elas acabam rasgando e os resíduos se espalham pelas ruas. Cléo e Luiz são obrigados então a se agachar e recolher o que podem. Ai deles se não agirem assim!

Não importa a hora nem o local. Quando o caminhão da coleta passar, sempre haverá um cidadão do bem pronto para fiscalizar o trabalho dos servidores municipais.

Sentado na boleia, o motorista José Antônio Pereira da Silva também sofre para conduzir as quase 12 toneladas de lixo e metal pelas vias da Vila Falcão. Em determinados pontos, onde as ruas são mais estreitas, dá a impressão de que ele arrastará consigo os carros estacionados no local.

Dois anos atrás, ele teve a infelicidade de “ralar” um automóvel. “Foi nos meus primeiros dias de trabalho. Tive de pagar o conserto. Ficou em R$ 1.800,00”, afirma. Com ajuda dos companheiros, José Antônio consegue se safar das colisões.

Além de se esquivar dos outros veículos, ele tem de zelar pela segurança dos colegas que estão no chão. “Costumo fechar a rua, para evitar que os carros avancem e atropelem os coletores”, explica. Porém, o método nem sempre funciona com as motocicletas.

Na esquina das ruas Assef Madi e Capitão Gomes Loureiro, Cléo e Luiz quase são atingidos por uma moto, enquanto recolhiam o lixo acumulado na via. Por sorte, o veículo acabou desviando pela calçada. E mais uma vez por sorte, ninguém passava por ali, no momento.

Os dois nunca foram atropelados. Luiz já torceu o tornozelo, depois de pisar em um buraco. Também já cortou a perna com um caco de vidro. Cléo, por sua vez, sofreu deslocamento de ombro, ao levantar um saco pesado demais.

Obtivemos essas informação por volta das 21h, três horas depois deles terem deixado o pátio do Departamento de Limpeza Pública da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A equipe havia acabado de lotar um caminhão com capacidade para oito toneladas e meia. Pararam para beber água uma única vez, às 20h15. Quantos atletas de ponta suportariam ficar tanto tempo sem ingerir líquidos?