Franca - Uma forte chuva no início da noite de sábado voltou a castigar os francanos. O temporal, que durou cerca de 40 minutos, teve um poder devastador e deixou como saldo destruição e morte. Os bairros da região oeste, onde moram cerca de 80 mil pessoas, estão entre os mais atingidos. Pelo menos nove casas foram danificadas. Três delas acabaram interditadas pela Defesa Civil por causa dos riscos de desabamento.
Os ventos fortes ainda derrubaram três postes de luz e telefone e uma árvore, deixando os moradores de um bairro sem comunicação e energia elétrica. Os bairros mais afetados foram o Jardim Palmeiras, Residencial Chácara Ouro Verde (na região do Distrito Industrial)e Parque Florestal (entre os Jardim Simões e o Parque das Esmeraldas).
Até o fechamento desta edição, a prefeitura não havia contabilizado os prejuízos causados pela chuva. Os secretários municipais saíram às ruas para acompanhar as ocorrências e acionaram as equipes para fazer a limpeza no domingo.
Na Vila São Sebastião, Dalva Arango Lopes escorregou em um corredor sem saída dentro de sua casa. O ralo estava entupido e ela teria se afogado com a água empoçada. Na rua Anésio Basílio dos Santos, no Jardim Palmeiras, por pouco o drama não se repetiu. Os moradores só não morreram graças à coragem dos vizinhos. A água atingiu um metro e meio de altura.
Cleide dos Santos, 42 anos, mora com o marido Maurício dos Santos, 59 anos, que é deficiente e vive numa cadeira de rodas. A casa deles foi invadida pelas águas de um córrego próximo. Cleide não conseguiu carregar Maurício sozinha e precisou de vizinhos para escapar das águas. “Vi a morte de perto. Só conseguimos nos livrar da água quando os homens estouraram a porta e pegaram a gente”, disse Cleide.
O córrego existente próximo às casas não suportou o volume de água, transbordou e invadiu pelo menos oito residências. Três delas foram interditadas pela Defesa Civil. Em uma, a parede dos fundos foi derrubada. A enxurrada foi tão forte que arrastou móveis e eletrodomésticos dos moradores a mais de dez metros.
Nos fundos da rua, existe um terreno baldio. Anteontem à noite, pouco depois do temporal, geladeiras, fogões, máquina de lavar roupas e outros pertences eram vistos espalhados no local e sujos de barro.
A comerciante Adriana França, 28a anos, ficou desesperada e chorou pelos prejuízos que teve. Ela mora no Jardim Palmeiras há seis anos e já enfrentou pelo menos quatro enchentes em sua casa. Nas outras vezes, diz que conseguiu salvar os móveis, desta, não restou nada.