08 de julho de 2026
Politicando

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Presidente da Comissão de Corrupção do governo Sarney no Senado, em 89, Itamar Franco sonhava ser vice de Brizola. Disse-me que ele ia ganhar. Hélio Garcia, governador, também queria ser vice de Brizola. Brizola sabia e nunca ligou para nenhum dos dois. Mandou Fernando Lyra a Belo Horizonte conversar com Hélio Garcia. Fernando disse a Hélio que era o candidato a vice. E foi. A paranóia de Brizola achava que ele era Getúlio e ganharia sozinho.

Itamar foi vice de Fernando Collor. Apesar do empenho dos amigos Hélio Costa, Renan Calheiros e outros, só decidiu mesmo, numa quase madrugada, no gabinete do Ministério da Cultura, depois de horas de discussão com José Aparecido, que o convenceu assim (vi e ouvi):

- Se você se eleger vice de Brizola, não muda nada na política de Minas. Brizola não entra em Minas. E, se perder, fica mal. Mas se você se eleger vice de Collor, você comanda Minas. E, se perder, não perde nada.

A entrada de Itamar no PRN e o registro da candidatura no cartório de Juiz de Fora, no último minuto, foi uma operação de desespero.

Extraído do livro “Folclore Político”, de Sebastião Nery