11 de julho de 2026
Nacional

Já são 21 os brasileiros mortos por tremor no Haiti

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - O Ministério de Relações Exteriores do Brasil confirmou ontem que uma brasileira com cidadania europeia morreu no terremoto que devastou o Haiti no último dia 12. O número de vítimas brasileiras na tragédia sobe assim para 21 - 18 militares e três civis.

Na sexta-feira passada, o ministro de Defesa, Nelson Jobim, declarou haver três civis brasileiros mortos no Haiti, ao desembarcar em Brasília de uma viagem ao Haiti. O governo brasileiro, contudo, não confirmava a informação.

Os outros dois civis são a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, e o chefe-adjunto civil da missão da ONU, Luiz Carlos da Costa, cujo corpo foi encontrado no sábado.

Segundo o Itamaraty, a família da brasileira pediu para que seus dados pessoais não fossem divulgados. O ministério diz apenas que ela estava em Porto Príncipe, Capital do Haiti, no momento do terremoto, e que deve ser enterrada na Europa.

O Exército confirmou também ontem a morte do major Márcio Guimarães Martins, último militar brasileiro ainda tido como desaparecido após o terremoto do último dia 12.

O major Guimarães servia na Brigada de Infantaria Paraquedista e desempenhava no Haiti a função de oficial de Estado-Maior do Batalhão de Infantaria de Força de Paz (Brabatt). Ele é o 18.º militar de brasileiro cuja morte foi confirmada em razão do terremoto.

O Brasil mantém 1.266 militares no Haiti, que formam a força da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) de cerca de 9 mil homens, enviada ao país em 2004 para garantir a estabilidade do país, após um golpe de Estado.

‘Lado bom’

O assessor de assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que os efeitos do terremoto no Haiti não teriam sido “devastadores” se a comunidade internacional tivesse ajudado o país a resolver seus problemas sociais.

“A gente tem de aproveitar pelo menos isso, se é que se pode dizer que houve um lado bom nessa catástrofe, justamente porque a comunidade internacional não tem mais desculpas para dizer que o problema não é dela”, disse. Na contramão dos demais integrantes do governo, que evitam críticas no momento de ajuda ao Haiti, ele observou que países mais bem estruturados conseguiram enfrentar terremotos.

Mais comedido nas palavras, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou que o governo brasileiro está disposto a fazer doação em dinheiro para a reconstrução do Haiti. Em entrevista no Itamaraty, Amorim disse que participará, no dia 25, em Montreal, de uma conferência de países doadores. O chanceler lembrou que o País já colocou à disposição US$ 15 milhões para ajudar as vítimas do terremoto.

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Mais doações do Brasil

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que o governo brasileiro está disposto a ampliar o montante doado pelo país para o Haiti, devastado por um terremoto na semana passada.

Segundo o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), que fez um relato da conversa de Lula com Ban Ki-moon, o presidente brasileiro disse estar disposto a aumentar a colaboração com o Haiti além dos US$ 15 milhões já oferecidos pelo governo federal. “Mandamos US$ 5 milhões para a conta da ONU, o restante - US$ 10 milhões - será mandado tão pronto esteja disponibilizado. Creio que os outros US$ 10 milhões sairão muito rápido. O que a gente puder fazer a mais será para a reconstrução, provavelmente. Doação em dinheiro é possível, mas vamos discutir como fazer, porque isso vem à frente”, afirmou.

Amorim disse que os US$ 15 milhões doados ao Haiti são para ações emergenciais no país. A ajuda extra do governo brasileiro seria aplicada integralmente na reconstrução do país. “Toda essa ajuda que tem se dado até agora é emergencial, para cobrir necessidade de alimentos, de água, de hospitais de campanha, saúde. É importante a reconstrução do Haiti”, afirmou Amorim.

O ministro confirmou que participará no dia 25 de janeiro que vem, no Canadá, da conferência de países doadores ao Haiti para discutir detalhes sobre a aplicação dos recursos. “É uma reunião de ministros. Não está claro se os países vão fazer ofertas nesse dia ou se vão preparar outra reunião. É possível que já haja uma indicação preliminar, e depois presidente e primeiros-ministros se reúnam”, explicou.

Amorim disse que o governo brasileiro também conseguiu um compromisso do emir do Catar, xeque Hamad Bin Khalifa Al Thani, para que o país ajude o Haiti. Não foram definidos valores para a doação dos árabes ao país caribenho. Na conversa, segundo Amorim, o secretário-geral da ONU manifestou suas condolências ao presidente Lula pela morte dos brasileiros no terremoto do Haiti.