08 de julho de 2026
Cultura

Multimulher

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 6 min

Em dezembro de 2007, Fernanda Takai era conhecida apenas por ser vocalista do Pato Fu e mãe da pequena Nina. Atualmente, a cantora transita com destreza em um universo muito maior, que envolve a carreira solo, o futuro lançamento de um novo álbum com a banda, planos de uma nova maternidade, entre outros projetos paralelos.

Com 17 anos de carreira, ao lançar um álbum exclusivo com regravações de canções interpretadas por Nara Leão chamado Onde Brilham os Olhos Seus, a tímida Fernanda Takai se mostra uma mulher preparada, destemida e em constante busca por renovações.

“Gosto de desafios e quando inicio um projeto procuro dar a ele um toque especial. Fiquei feliz e surpresa com a repercussão que álbum solo alcançou. Se for analisar, continuo a mesma Fernanda do início da carreira, apenas mais responsável”, destaca.

Fernanda esteve em Bauru no último sábado com o show de sua turnê solo. Em entrevista ao Jornal da Cidade, ela falou sobre seus projetos, sua vida pessoal e revelou que o sanduíche que leva o nome da cidade e uma corrida de kart tornaram Bauru uma cidade inesquecível. Confira a seguir.

Jornal da Cidade – Como foi regravar Nara Leão?

Fernanda Takai – Foi uma experiência incrível. A ideia foi do Nelson Motta, nós nem nos conhecíamos pessoalmente e ele me propôs fazer um álbum com as músicas da Nara. Dentre outros motivos ele alegava que tínhamos o timbre de voz parecidos e a mesma forma de cantar. Começamos a trocar e-mail, fizemos uma seleção de músicas e eu topei, desde que pudesse criar novos arranjos e apresentar a música de uma outra forma.

JC – Teve medo?

Fernanda – Não, em momento algum. Na verdade se eu tivesse tido medo nem teria começado. Eu sabia que teria uma repercussão, só não sabia se seria negativa ou positiva. Enfim, arrisquei porque foi algo que me despertou o interesse.

JC – E a responsabilidade de interpretar grandes compositores?

Fernanda – Tenho uma ligação que data da minha infância com estes compositores, muitos com músicas gravadas na voz de Nara. Nesta época comprei uma fita cassete e confisquei várias fitas do meu pai, uma delas era a de Nara cantando Roberto e Erasmo. Mesmo tendo passado por outras fases mantive minha coleção.

JC – Você não receia que sua carreira solo se sobreponha à do Pato Fu?

Fernanda – Não. Eu sempre deixei muito claro que continuaria com os dois projetos. Claro que eu não posso exigir a mesma atenção da mídia, não sou eu quem dita as regras. Eu não posso dizer ‘prestem mais atenção na banda ou olhem mais para mim’. Penso que são coisas bastante diferentes. Na banda eu posso cantar à vontade, se eu errar a letra, tudo bem, digo que foi um momento diferente. Já no show de regravação de Nara preciso saber as letras certinhas, a responsabilidade é maior, embora seja igualmente prazeroso.

JC – Você escreveu um livro chamado Nunca Subestime uma Mulherzinha. Tem outro no forno?

Fernanda – O livro foi lançado em 2007, foi uma reunião de textos que eu já havia publicado no Correio Braziliense e O Estado de Minas. Pretendo fazer outro sim, já tenho material de 2008 e 2009. Adoro escrever. O legal é que conforme você vai praticando vai ficando cada vez melhor nisso. Às vezes me culpo por fazer isto mais do que deveria, muitas vezes escrevo mais do que componho ou faço arranjos, afinal sou cantora.

JC – E ainda sobra tempo para a Fernanda multimídia?

Fernanda – Ah, eu tenho de dar um jeito. Manter minha página atualizada é uma das minhas prioridades. Penso que é um importante canal entre o público e o artista. Não sou do tipo atualiza o twitter a cada segundo, relatando os meus passos. Mas procuro manter o site em dia, com informações novas e respondo as perguntas e recados que me mandam. Sempre fui assim e não vou perder este elo.

JC – Como é a Fernanda supermulher, que concilia vários projetos, e ainda é mãe e dona de casa?

Fernanda – Eu sou muito tranquila e organizada. Na verdade não sei se organizada é a palavra certa porque o John sempre diz que eu sou muito bagunceira, prefiro dizer que cumpro com meus compromissos e detesto atraso, sou adepta da famosa bagunça organizada. Para conciliar tudo o segredo é dormir menos. Assim consigo cumprir minha agenda e ainda sobre um tempinho para curtir a Nina (filha de Fernanda), levá-la à escola, fazer mercado, cuidar da casa e cozinhar, entre outras coisas rotineiras.

JC – Tua filha já mostra características suas?

Fernanda – Além de ser fisicamente parecida comigo ela herdou alguns traços de minha personalidade. A Nina é bem espoleta e já apresenta traços de responsabilidade. Já o senso de humor com certeza é do John.

JC – O que mudou depois da maternidade?

Fernanda – Fiquei ainda mais responsável. Foi quase uma pós-graduação em relações humanas. Nunca fui de sair muito, sempre preferi ficar em casa, ir ao teatro, curtir a família. Com relação à musica, a vinda da Nina teve muita influência. Em algumas canções, como Mamã Papá por exemplo, a influência dela é explicita, em outras fica subentendida. Acho que a Nina inspira um universo muito maior, não dá para por tudo em uma música.

JC – Você já veio outras vezes para Bauru, o que mais te marcou na cidade?

Fernanda – Venho para cá regularmente, não é todo ano, mas sempre que dá carimbo presença na cidade. Uma das primeiras vezes que o Pato Fu veio fazer show aqui fomos convidados para provar o famoso sanduíche Bauru. Como amante da gastronomia, não pude recusar. Acontece que depois fomos andar em um Kart que tinha na cidade. Não preciso nem dizer que o resultado foi mesmo inesquecível.

JC – Falando nisso, gastronomia é uma de suas paixões.

Fernanda – Com certeza. E o fato de ser artista me favorece muito neste ponto. Como estou sempre viajando não perco a oportunidade de conhecer um pouco da culinária de cada local. Eu realmente gosto bastante de comer.

JC – E os próximos projetos?

Fernanda – O Pato Fu está preparando um disco novo, já que o último foi lançado em meados de 2007. A única coisa que posso adiantar é que será algo bem diferente, o resto é segredo absoluto. Em minha carreira solo ainda não tenho planos. Claro que o mais lógico, talvez até o esperado, seja que eu regrave sucesso de outros cantores, assim como eu fiz com a Nara. Mas não pretendo fazer isto, o óbvio não me atrai. Com relação à vida pessoal, pretendo dar um irmãozinho ou irmãzinha para a Nina, e isso deve acontecer em breve, muito em breve, aliás.

JC – O que mudou na Fernanda após 17 anos de carreira?

Fernanda – Basicamente, nada. Apenas fiquei mais velha.