08 de julho de 2026
Turismo

Sem solidão e na imensidão

Eliana Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Em Brasília, nas visitas guiadas à Câmara dos Deputados ou ao Congresso Nacional – não deixe de pegar seu cartão postal gratuito e enviá-lo para alguém que ficou em casa –, você vai se deparar bem na entrada com os seguintes dizeres do criador de Brasília, Juscelino Kubitschek: “Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu País e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino” (Brasília, 2 de outubro de 1956).

A foto de JK pisando pela primeira vez no cerrado e proferindo a frase entraram para sempre na história. O homem com os pés na imensidão e acreditando que a “vastidão desconcertante do vazio” se tornaria uma cidade maravilhosa. Disse isso, pisou no capim que batia nos joelhos, tirou o chapéu e conseguiu menos de quatro anos depois entregá-la à população.

A jornalista Eliane Catanhêde, autora do livro “As Cidades do Brasil – Brasília” (PubliFolha), conseguiu resumir bem o que esse lugar tem de tão diferente, especial, a ponto de fazer muitos cariocas, paulistas, gaúchos .... vindos de terras tão distantes, por ele se apaixonar e dali não querer mais sair:

“Brasília é uma cidade de lendas e ets. Aliás, a nova capital do Brasil foi inventada por causa de um sonho e de um sonhador. O sonho foi de Bom Bosco, santo italiano que fundou a Ordem dos Salesianos. O sonhador, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o JK (1902-76), aquele que prometeu “50 anos em 5” e entregou uma cidade como patrimônio cultural da humanidade. Nada mau.”

Dom Bosco, o missionário italiano, ganhou na cidade um santuário belíssimo, com vitrais azuis, lembrando o paraíso aqui mesmo na terra. Na primeira semana de janeiro – coincidentemente quando eu estava lá –, a imagem peregrina de Dom Bosco passou por Brasília e foi reverenciada por legiões de fiéis emocionados.

Dom Bosco nasceu em Castelnuovo, na Itália, em 16 de agosto de 1815. Morreu em 31 de janeiro de 1888, em Turim. Foi camponês, estudante, aprendiz de vários ofícios, padre e educador. E em 30 de agosto de 1883, acordou e escreveu o seu sonho, prevendo que, entre os paralelos 15 e 20, surgiria “a terra prometida, vertendo leite e mel”. Exatamente 73 anos depois, JK erguia no paralelo 15 a Ermida de Dom Bosco, marco da história dessa cidade que venceu todos os obstáculos e que em abril completa 50 anos.

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A Legião da Boa Vontade

O sonho e o sonhador fizeram com que fossem levadas até Brasília e suas imediações muitas seitas, irmandades e até observatórios de discos voadores – os chamados Ovnis -, que tanto foram falados nos anos 70.

Até hoje muitas religiões têm sede por lá. Caso da Legião da Boa Vontade, com um templo belíssimo, em formato de pirâmide, que funciona nas imediações do Aeroporto Juscelino Kubitschek, que recebe voos nacionais (a Gol tem promoções de passagens para Brasília no site www.voegol.com.br) e internacionais regularmente.

O TBV completou no dia 21 de outubro 20 anos de existência e é considerado uma das “Sete maravilhas de Brasília”, um dos monumentos mais visitados da cidade, que oferece, 24 horas por dia, um ambiente ecumênico de paz e meditação a todos que buscam o silêncio interior.

Fica no SGAS 915, lotes 75 e 76, e é também conhecido por “A Pirâmide dos Espíritos Luminosos” e “A Pirâmide das Almas Benditas”.

O Templo da Boa Vontade foi construído em forma piramidal com sete faces e ocupa uma área de mais de 2 mil metros quadrados, medindo 21 metros de altura e 28 metros de diâmetro. Mais informações pelo telefone (61) 3245-1070 ou no site www.tbv.com.br.

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Da utopia à realidade

Brasília nasceu de sonhos e foi considerada uma utopia pela dificuldade de se plantar, há meio século, uma cidade no meio do nada. Mas deu certo. Erguendo-se como uma capital modernista no meio do cerrado, com imensos espaços para a população usufruir.

Por conta dessa preocupação com as pessoas é que não se vê na parte central das “asas do avião” casas residenciais. Elas existem sim, mas bem longe do centro – as grandes mansões dos políticos, dos executivos, ficam junto ao Lago Sul -, todas com imensas piscinas para os brasilienses se refrescarem do calor.

Nas asas Norte-Sul, somente edifícios residenciais com no máximo seis pavimentos, mas dotados de toda infraestrutura (nas superquadras há de tudo perto: academias, lavanderias, padarias, delicatessens...).

Bem diferente do distrito de Águas Claras, uma cidade independente de Brasília, que recebeu os grandes empreendimentos imobiliários (edifícios com 15-20 andares) lembra uma mini-São Paulo (quando o avião está aterrissando são aqueles prédios que você avista sem dificuldade).