09 de julho de 2026
Bairros

PS Bela Vista vive maratona ‘leva e traz’

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem, o Pronto-Socorro (PS) do Jardim Bela Vista viveu uma maratona do “leva e traz”. Como o local ficaria sem médico plantonista no período da manhã, a direção da unidade transferiu para o PS Central (PSC) quatro pessoas que estavam internadas no local, acompanhadas dos funcionários responsáveis pelo atendimento.

À tarde, o PS da Bela Vista voltou a contar com médico de plantão. Os funcionários deslocados tiveram de retornar à unidade de saúde do bairro, enquanto os pacientes permaneceram em observação no PSC. Esse procedimento tem sido adotado em decorrência da falta de especialistas nos quadros da Secretaria Municipal de Saúde.

O problema agravou-se em outubro do ano passado, por conta da demissão de um médico contratado pelo regime de 40 horas semanais. “Esse profissional costumava fazer vários plantões. Com a saída dele, ficamos sem opções para suprir as demandas”, justifica o secretário de Saúde, Fernando Monti.

Nos últimos tempos, o PS da Bela Vista deixou de receber pacientes nas manhãs de quinta-feira. Apesar de a medida ter sido anunciada nos meios de comunicação, a reportagem esteve no local e apurou que muitas pessoas ainda vão à unidade em busca de atendimento.

Ontem, por volta das 7h, um homem esteve prestes a agredir uma funcionária da unidade de saúde porque não conseguiu falar com um especialista. Naquele horário, em tese, deveria haver um profissional à disposição para receber as pessoas que porventura buscassem pronto-atendimento no local. Porém, como faltava relativamente pouco tempo para a troca de seu turno, o médico precisou acompanhar os pacientes internados.

Os funcionários tentaram explicar a situação ao homem, mas não conseguiram acalmá-lo. Indignado, ele desferiu um forte chute numa porta de metal existente no saguão de entrada do PS. A porta ficou completamente amassada. Até o fechamento desta edição, a direção da unidade estudava se iria ou não registrar boletim de ocorrência contra o cidadão revoltado.

Moradores das imediações, que buscaram pronto-atendimento no PS da Bela Vista, tiveram de se deslocar até o PSC. Ambulâncias da Secretaria de Saúde faziam o transporte dos pacientes. Na opinião de Monti, apesar de ser oneroso e causar inúmeros inconvenientes à população, o complicado procedimento tem se mostrado a única forma de sanar o problema, pelo menos momentaneamente.

“Não fazemos apologia da burrice. Se houvesse um meio mais eficaz de solucionar essa questão, já teríamos adotado”, afirma o secretário. A prefeitura realizará um concurso público, no próximo dia 31, na tentativa de resolver a questão da falta de médicos plantonistas.

Se tudo correr dentro do esperado, Monti espera que o profissional para atuar na Bela Vista esteja contratado já no próximo mês. “Nossa intenção é manter médicos reservas, para não sermos pegos de surpresa no caso de alguém pedir demissão”, afirma.

Embora não contasse com médico, o PS da Bela Vista permaneceu aberto na manhã de ontem. Além das pessoas que iam até lá em busca de atendimento médico (e eram orientadas pelos funcionários a procurar ajuda em outro lugar), a unidade recebeu pacientes que fariam tratamento dentário.

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Sindicato reúne informações

O Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru e Região (Sinserm) informa que denunciou em 2008 o problema da falta de médicos na rede municipal de saúde. De acordo com a diretora Sônia Carvalho, na época o Ministério Público foi acionado e houve a instauração de um inquérito civil público pelo promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene, que continua em andamento.

“Fechar a porta do Pronto-Socorro do Bela Vista foi um ato incisivo, que desnuda uma situação que existe há bastante tempo”, observa a diretora. Ela avalia que além da falta de atendimento aos cidadãos, os funcionários também sentem as consequências. “Eles ficam frustrados, humilhados e também pressionados. Se veem numa situação de impotência”, avalia Carvalho.

Para colaborar com o procedimento instaurado na promotoria, o Sinserm pede que funcionários e usuários da rede municipal de Saúde informem os problemas que presenciaram. As reclamações podem ser encaminhadas até o dia 4 de fevereiro para o correio eletrônico da entidade, o sinsermbauru@terra.com.br ou pelo telefone (14) 3227-8999. A próxima reunião do sindicato com a promotoria e a Secretaria Municipal de Saúde está prevista para o dia 5 do próximo mês.