09 de julho de 2026
Nacional

Brasileiros mortos no Haiti chegam a 22

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - A Minustah (missão de paz da ONU no Haiti) confirmou ontem a morte de Cleiton Batista Neiva, tenente licenciado da Polícia Militar do DF que trabalhava na área de segurança das Nações Unidas no país. Agora são 22 os brasileiros vítimas do terremoto. Neiva fez parte do do primeiro efetivo de policiais militares brasileiros que serviu no Haiti, onde se casou com uma austríaca também funcionária da ONU e teve um filho. Policiais amigos do tenente contaram à família que ele foi localizado na noite de anteontem, quinta-feira, numa área subterrânea próxima aos escombros do Hotel Cristopher, sede da missão.

Depois de dez dias sem notícias oficiais do tenente, a família agora luta para trazer o corpo de volta ao Brasil. “Fazemos questão de enterrá-lo em Brasília. Mas não temos nenhuma informação nem sabemos como fazer isso”, lamentou a cunhada da vítima, Marli Mundim. Apesar de a família ter até celebrado ontem em Brasília missa em homenagem ao tenente, o Itamaraty não confirmou a morte de Cleiton Neiva.

Comoção

Dezessete dos 18 militares brasileiros mortos no terremoto ocorrido no Haiti no último dia 12 foram enterrados em suas respectivas cidades ontem, em cerimônias reservadas às famílias e amigos mais próximos, que provocaram muita comoção na população de todas as cidades.

Anteontem, eles foram homenageados em cerimônia na base aérea de Brasília, que contou com a presença do presidente Lula e ministros. Eles receberam promoção post-mortem.

Quatro dos militares foram enterrados ontem Lorena, no Vale do Paraíba (SP), e região. Tratam-se do soldado Felipe Gonçalves Julio, do 2.º Sargento Davi Ramos de Lima e dos cabos Douglas Pedrotti Neckel e Washington Luiz de Souza Serafim.

“Seu sorriso jamais será esquecido. Você é nosso herói.” Com esta frase estampada em camisetas, a família e os amigos de Felipe Gonçalves Julio expressaram seus sentimentos, durante o velório e enterro, em Lorena. Ele foi o primeiro dos sete militares mortos no Haiti, ligados ao 5.º Batalhão de Infantaria Leve (5.º BIL), a ser enterrado. Davi Ramos de Lima também foi enterrado no mesmo local. Às 16h, no cemitério particular Memorial de Lorena, foram enterrados os cabos Douglas e Washington.

Cachoeira Paulista, cidade de 40 mil habitantes também no Interior do Estado, parou na manhã de ontem para receber os corpos dos soldados Antonio José Anacleto, Rodrigo Augusto da Silva e Tiago Anaya Detimermani. Eles foram aclamados pela população como heróis que morreram em missão de paz.

Anacleto e Rodrigo foram velados no salão da Câmara Municipal, e Tiago seguiu para a capela do bairro Embauzinho, onde morava com os familiares e já tinha data - dia 10 de abril - para oficializar seu casamento religioso com a estudante Rosilene Adriana Detimermani, com quem já estava casado no civil, desde 2008. Uma missa de corpo presente foi celebrada às 11h30 em homenagem a eles. Rodrigo foi enterrado em Silveiras e Tiago será enterrado no fim da tarde em Cruzeiro.

Os dois militares de São Vicente, litoral paulista, mortos na catástrofe, foram sepultados ontem no Metropolitano Cemitério Vertical, no bairro Bitaru, em jazigos doados ao Exército. O cabo Ari Dirceu Fernandes Júnior, 23 anos, e o soldado Kléber da Silva Santos, 22 anos, receberam honras militares.

O subtenente do Exército Raniel Batista de Camargos, 43 anos, foi enterrado na manhã de ontem em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba. O subtenente estava havia 20 anos na Força e nos últimos anos servia no 37.º Batalhão de Infantaria Leve, em Lins, a 455 quilômetros de São Paulo. Casado e pai de dois filhos, de 6 e 2 anos, Camargos conversava com a mulher, por telefone, no dia 12, quando a ligação foi interrompida por causa do terremoto.

Em São João del Rei, na região do Campo das Vertentes, o corpo do segundo-sargento Leonardo de Castro Carvalho era velado desde a madrugada de ontem no Salão de Honra da prefeitura. Carvalho, de 29 anos, servia no 5.º Batalhão de Infantaria Leve, em Lorena, no Vale do Paraíba (SP), e estava na Minustah havia seis meses.

O corpo do major Francisco Adolfo Vianna Martins Filho, 41 anos, natural de Belo Horizonte, foi sepultado em Brasília, onde reside a família. Martins Filho era casado, pai de uma filha de 9 anos.

Foi sepultado ontem, em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, o corpo do primeiro-tenente Bruno Ribeiro Mário. Natural de São Gabriel (RS), ele era esperado por parentes e amigos para comemorar seus 27 anos no dia 8 de fevereiro.

Familiares, amigos e colegas de farda se despediram ontem, no Rio, de quatro militares. O primeiro sepultamento foi do Marcus Vinícius Macêdo Cysneiros, 41 anos, pela manhã, no Cemitério Parque da Colina, em Niterói (Região Metropolitana).

No Crematório do Cemitério do Caju, o corpo do general de Brigada, Emílio Carlos Torres dos Santos, 46 anos, foi cremado ontem, após salva de tiros e homenagens militares no Memorial do Carmo (Zona Portuária). O tenente coronel Márcio Guimarães Martins foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste. Na cidade de Piraí, no Sul Fluminense, o sargento Rodrigo de Souza Lima, 24 anos, foi velado na Câmara Municipal. Ele chegaria no Brasil no dia 16 e celebraria o aniversário anteontem.