Porto Príncipe - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou ontem que 15 crianças foram sequestradas em diferentes hospitais do Haiti por redes de tráfico de pessoas por meio de Santo Domingo, disse em entrevista Jean-Claude Legrand, assessor de proteção da infância do Unicef.
Mas a informação ainda não pode ser confirmada como disse mais tarde o chefe de comunicação do Unicef em Genebra, Jeremy Hartley.
Hartley disse que o órgão está procurando dados mais precisos sobre o caso, embora a situação caótica no Haiti torne a tarefa muito difícil.
Metade da população do país caribenho é de menores de 18 anos. O Unicef estima que 2 milhões de crianças tenham sido afetadas pelo terremoto e apoiou a saída rápida dos menores cujos processos de adoção foram concluídos antes da tragédia, mas advertiu que “qualquer precipitação pode ser prejudicial”.
Segundo Legrand, o tráfico de crianças já existia no Haiti antes do terremoto, com vínculos com redes internacionais de adoção ilegal. Os traficantes, contudo, aproveitam tragédias como o terremoto para roubar crianças que ficaram órfãs ou cujos parentes ainda não foram encontrados.
“Tivemos o mesmo problema no tsunami”, disse Legrand, se referindo a onda que atingiu a Ásia em 2004. “Estas redes se ativam assim que ocorre uma catástrofe e aproveitam a debilidade na coordenação dos responsáveis no local para sequestrar as crianças e tirá-las do país”.