Imagine poder assistir tranquilamente na sua poltrona a todos os jogos do time do coração, sempre ao vivo, independentemente se a partida será transmitida em canal aberto ou não. Mais que isso, ter acesso a filmes em primeira mão, seriados e canais estrangeiros, numa gama de entretenimento que a televisão convencional, cada vez mais entupida de programas de vendas e religiosos, não oferece, com um diferencial: sem pagar qualquer tipo de taxa ou mensalidade.
Tal prática, aparentemente um sonho para qualquer aficionado por TV, pode ser conferida no alto dos telhados ou em batentes de janelas de casas e apartamentos de Bauru por meio de antenas com diâmetro pouco maior do que uma pizza grande.
As antenas não apresentam grandes diferenças das tradicionais miniparabólicas instaladas pelas empresas de TV por assinatura. Contudo, se a pessoa é atenta aos detalhes, vai perceber que o equipamento externo não tem marca aparente, diferente dos equipamentos oficiais, que ostentam a logomarca da operadora.
Mas a superfície lisa das pequenas parabólicas não é o único diferencial entre os sistemas legais de recepção via satélite. A “gambiarra”, que se multiplica aparentemente sem freios em Bauru e outras cidades do Estado, é vendida em lojas de eletrônica e envolve até mesmo a decodificação de um código de acesso.
O sistema é ilegal e, por isso mesmo, configura-se é crime. Contudo, a lei não tem sido empecilho para a difusão do sistema. A multiplicação das anteninhas sem marca visível é evidenciada pela existência aos montes do equipamento, presentes no telhado de residências de classe média e até em teto de moradias mais humildes, cujos proprietários, pela simplicidade ou até precariedade das construções, ao que tudo indica, não teriam condições de arcar com as altas mensalidades das operadoras de TV paga.
A ausência de fatura de cobrança mensal aliada ao grande leque de canais disponibilizado pelo sistema ilegal, para quem usufrui dele, passa a sensação, na opinião de quem possui o equipamento “alternativo”, de que o crime compensa. “Está valendo a pena”, comenta um professor de 25 anos que pediu para ter sua identidade preservada.
Ele conta que possui sistema de recepção e decodificação do sinal em sua casa há cerca de três meses e, até o momento, não teve qualquer tipo de problema, seja técnico ou legal. “A gente sabe que um dia poderá ficar sem sinal, mas é um risco que a gente corre”, conforma-se o jovem, que assiste a cerca de 80 canais sem pagar nada.