Drogas é assunto recorrente nas sessões policiais dos jornais. Seja por apreensões ou crimes associados à utilização, os narcóticos geralmente são abordados num contexto punitivo.
Cada vez mais a sociedade se depara com casos de dependência química e situações conflituosas envolvendo seus dependentes. Atletas deflagrados em exames anti-doping, assaltos e latrocínios motivados pelo vício, assassinatos de parentes e amigos próximos resultado de transtornos de comportamentos causados pelo uso de drogas. Cenas comuns traçadas por um inimigo que não distingue suas vítimas por cor, raça, posição social ou credo. O crack com seu poder destrutivo e causador de alta dependência é capaz de dominar pai e mãe de uma saudável família de três filhos, por exemplo. Imaginemos o que a pedra branca não está a fazer com pessoas ainda em processo de amadurecimento.
O primeiro contato com os alucinógenos acontece muitas vezes na juventude e crescentemente na adolescência. A maconha costuma ser a primeira opção para quem se aventura no “barato”. Tratada com descaso e até leviandade, esta droga geralmente conduz a outras ainda mais nocivas e vorazes.
Considerando que a população brasileira está no ápice da força jovem e já aponta para se tornar a grande - idosa - parcela do país, as possíveis seqüelas que serão deixadas em uma geração acometida pelo vício químico é motivo de preocupação. São diversos os problemas de um povo viciado: a privação da liberdade e autonomia, a não consciência e responsabilidade pelos atos, o abalo da saúde, o subdesenvolvimento econômico, social e cultural, entre outros comprometimentos.
Responder automaticamente aos reflexos da dependência química com destinação aos centros penitenciários não é solução, visto que estes estão infestados de expressivas e danosas ofertas de drogas; além do tráfico.
O Brasil precisa despertar sob o assustador alarme das sirenes de viaturas policiais, intervindo de forma emergencial e efetiva através de políticas públicas que façam frente a praga moderna da alucinação e alienação. Ser o país de hoje e de amanhã requer cidadãos capazes de projetar uma nação e, definitivamente, isto não está ao alcance de pessoas rendidas de seus próprios domínios. É preciso ir além das propagandas que dizem “não use drogas”.
A autora, Marcella Pacheli, é estudante de jornalismo e colaboradora de Opinião