Porto Príncipe - Soldados da ONU usaram gás lacrimogêneo e gás pimenta ontem contra haitianos que disputavam desesperadamente a comida distribuída em frente às ruínas do Palácio Presidencial, duas semanas depois do terremoto que devastou Porto Príncipe.
“Eles não são violentos, só desesperados. Só querem comer”, disse o coronel brasileiro Fernando Soares. “O problema é que não há comida para todos.”
O Brasil lidera a Minustah, missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti.
Os Estados Unidos e a ONU tentam dar alimento, abrigo e atendimento médico a centenas de milhares de sobreviventes, muitos deles feridos.
Porém, muitos haitianos se queixam de que ainda não receberam a ajuda internacional que chega em grande quantidade ao país desde o terremoto de magnitude 7,0, que matou até 200 mil pessoas.
Algumas operações de distribuição de alimentos na capital resultam em tumulto.
Anteontem, no Palácio Presidencial, soldados da ONU, armados com pistolas, entregavam sacos de arroz com a bandeira dos EUA. Caminhões blindados formavam um cordão para controlar a multidão, e as pessoas eram submetidas a revistas.
Há sinais de que a arruinada capital vai lentamente voltando à vida normal. Um caminhão municipal de lixo recolheu pilhas de detritos em um acampamento perto da igreja de São Pedro, e uma longa fila se formava diante de uma agência bancária no bairro de Petionville. Na rua Geffrard, havia uma feira lotada e caótica.
O ministro da Saúde, Alex Larsen, informou que 1 milhão de haitianos ficaram desalojados na região de Porto Príncipe. O governo tem tendas para abrigar 400 mil pessoas nos novos assentamentos temporários, e precisaria de milhares de outras.