10 de julho de 2026
Geral

Estudantes de Bauru esperam ser resgatadas de Machu Picchu hoje

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A expectativa das duas estudantes de Bauru que integram o grupo de turistas que está ilhado em Machu Picchu (Peru) desde domingo por causa de fortes chuvas é serem resgatadas entre hoje e amanhã por helicóptero do governo do país. As jornalistas Verônica Lima e Alessandra Possebon, que fazem pós-graduação na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, continuam hospedadas em um hotel, segundo informou, por telefone celular, Robson Pereira, amigo das duas e que também está na cidade. Verônica também telefonou ontem, no início da tarde, para a irmã, Fernanda Lima, que mora em Botucatu, e avisou que estava bem e esperava sair da cidade hoje.

“Eu não estava em casa quando ela ligou, mas ela disse para minha amiga, quem atendeu ao telefone, que está bem, apesar das condições da cidade: nem todos os restaurantes estão funcionando, há muitos turistas alojados nos trens e está um pouco difícil acesso à Internet. Mas não tem outro jeito a não ser esperar o resgate por helicóptero”, disse Fernanda.

Os turistas feridos já foram resgatados. “Hoje (ontem) saíram uns 40 (brasileiros) daqui. Os doentes, os idosos e as crianças têm prioridade. Mas ainda tem muita gente à espera e estamos neste grupo”, relatou Robson, que é gerente de tecnologia e mora em São Paulo.

“Elas estão bem. Continuam hospedadas em hotel”, disse ele explicando que as duas não precisaram ceder seus lugares a outros brasileiros que estavam doentes, como cogitava Verônica anteontem, quando falou com o JC pelo MSN. “Conseguimos acomodar os brasileiros doentes. Aqui todos os turistas estão muito unidos, um ajudando o outro, principalmente quem é do mesmo país”, relatou.

Os brasileiros, disse, instalaram uma espécie de quartel general numa praça de Machu Picchu para um ajudar o outro no que for possível. “Principalmente para dar informações e entrar em contato com familiares, conseguir recarga de bateria de celular. Nós dividimos tudo, inclusive comida e água”, afirmou. “Ninguém está passando fome, mas não sobra comida”, completou.

E não há mais clima para turismo, nem segurança para isso, segundo Robson. Todos os turistas aguardam o resgate reunidos em praças, ginásios, hotéis ou trens, mas ninguém se arrisca a visitar as ruínas da cidade histórica inca. “Não tem condições, está perigoso. A única coisa que vemos aqui é chuva e rio transbordando”, completou.

Verônica, que viajou ao Peru para fazer curso de espanhol, domingo seguiu para Machu Picchu com a amiga Alessandra para fazer turismo. Mal chegou e já se deparou com o caos por causa das fortes chuvas, que causaram deslizamentos e alagamentos. Por isso, o trem, principal meio de transporte para Machu Picchu, está parado. As estradas de acesso à cidade também estão bloqueadas.

O governo local decretou situação de emergência por 60 dias na região. Há pelo menos sete mortos em decorrência da chuva. Verônica é natural de Guararapes, mas atualmente mora em Bauru e na cidade já trabalhou em emissora de TV e empresa de assessoria de imprensa. Atualmente, faz pós-graduação na Unesp, assim como Alessandra, que é jornalista de Ribeirão Preto.

O embaixador do Brasil na capital peruana, Lima, Jorge Taunay Filho, disse ontem em entrevista à Agência Brasil que pediu à Defesa Civil peruana que priorize o resgate dos turistas que estão em Machu Picchu, já que o estoque de água e alimentos é limitado -as aeronaves que trabalham na retirada de pessoas têm ido ao local carregadas de suprimentos.