A rio-pretense Maria Carolina Cordova, 26 anos, disse ontem, em entrevista exclusiva ao Diário da Região, de São José do Rio Preto, que deve ficar pelo menos mais três dias em Águas Calientes, distrito de Cusco, no Peru. Ela é uma dos cerca de 180 turistas brasileiros ilhados no local desde segunda-feira.
“As pessoas estão desesperadas, andando de um lado para o outro, sem saber o que fazer”, afirma a estudante. “Não aguento mais ficar aqui, quero ir embora.” Segundo ela, somente ontem à tarde chegou o primeiro helicóptero de resgate, que daria preferência às crianças e idosos.
Alojada provisoriamente em uma escola, a estudante está há quatro dias sem tomar banho. “Só não tenho passado fome porque ainda tenho alguns dólares e um cartão de crédito”, diz Nina, como é conhecida. O problema, diz, é que começa a faltar comida nos restaurantes. “Carne acabou ontem (terça-feira). Estamos à base de macarrão.” Para amenizar a situação, moradores do local distribuem pão e água aos turistas.
O maior receio da rio-pretense é o nível da água, que sobe a cada dia. “Se subir muito, soa um alarme e a gente tem que correr para um ponto alto. O problema é que pode haver tumulto na subida. Se a água vier, vai ser o caos”, diz Nina, que deve perder o voo de volta ao Brasil, marcado para hoje pela manhã.
“Estamos apreensivos com a falta de suprimentos do local”, diz Vaine Cordova, pai da estudante. A família, que está de férias em São Paulo, mantém contato com Nina por celular, Internet e um orelhão de Águas Calientes. Também tem telefonado constantemente para a embaixada brasileira em Lima, capital peruana.