10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Judiciário x Saúde


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É do conhecimento geral a frequência que se faz mobilizações, paralisações e outras atividades visando atualização, ganho salarial para seus funcionários. No JC de 9 de janeiro, na página 12, há uma matéria de meia página onde se entrevista Marilda Pinheiro, a primeira representante feminina a ocupar o cargo maior da associação dos delegados. Uma de suas premissas é exatamente a luta por melhores salários para os delegados de polícia, alegando a defasagem. Contudo, não foi citado o salário atual dos mesmos. Há pouco tempo, em função da reivindicação dos funcionários, pelo que foi promessa de campanha do atual prefeito de Bauru, foi publicada nesse mesmo JC a grade salarial de todos os funcionários do Pronto-Socorro de Bauru.

Foi suficiente para a população toda fazer “média” dizendo que merecemos e precisamos ganhar mais. Entretanto, tudo isso não passa de retórica pois, ao primeiro movimento de greve como aconteceu no governo passado, todos caíram de “pau” sobre nós. Desde a imprensa em suas variadas representações, aos políticos, entidades de classe, até a população em geral todos alegavam que era desumano, que o PS é serviço essencial, que lida com vidas humanas, que não pode fazer greve. No governo atual esperamos há mais de um ano pela recuperação dos salários dos que trabalham nos PS mas vimos apenas que foi feita uma melhora do salário para os médicos dos Postos de Saúde (que não atingiu os outros funcionários) e uma exigência de cumprimento de horário, embora não houvesse um aumento do número de consultas.

O PS atende a tudo o que vier e o salário dos médicos ficou próximo do pago aos médicos dos Postos de Saúde. Existe um aspecto que quase ninguém da população percebe: o médico do Posto descansa nos feriados, sábados e domingos e os do PS não. Todos querem ser atendidos (e rápido) nos PS mas não existe a sensibilidade de os mesmos que nos criticam, mobilizarem-se no sentido de exigir do poder público o pagamento de salários justos para os funcionários dos PS em todas as suas categorias. Ou seja somos funcionários essenciais mas não somos tratados como tais. Cobram-nos apenas as obrigações mas, não remuneram de modo justo. Os nossos direitos que se danem. Eu gostaria de ver publicado no jornal os ganhos de um delegado em começo de carreira. Não o que é chamado de Salário Base pois os empregos públicos sempre tem um salário base que não significa a metade dos vencimentos ao final do mês, para quem está na ativa.

Falo porque o nosso salário também é assim. Gostaria que o Sinserm pesquisasse e publicasse um artigo (como matéria paga) com tabelas comparando os salários de delegados, promotores, juízes, etc, com os pagos aos médicos pela prefeitura de Bauru, para o povo perceber quem ganha mal ao fim das contas. É importante que os munícipes também parem para pensar e descubram que xingar médicos e funcionários do PS quando precisam de atendimento, além de injusto e desumano, não resolve o problema dos pacientes nem dos médicos e funcionários.

Assim procedendo só fazem com que esses mesmos funcionários se desestimulem por ganharem mal e ainda serem maltratados pelos que mais precisam de atendimento. Não sei quantas vezes já escrevi matérias chamando a atenção da população para esse tema. Não sei se terá muita repercussão, muita importância. Saibam porém que eu não desisto e, enquanto houver necessidade e a abertura da mídia para que eu manifeste a minha opinião, eu o farei. A pior derrota é não saber lutar pelos próprios objetivos.

Áureo Antonio Érnica