08 de julho de 2026
Internacional

Zelaya deixa Honduras e Lobo assume

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Tegucigalpa - Depois de 128 dias como “hóspede” do governo Lula e sob forte cerco militar, o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya finalmente deixou ontem a Embaixada do Brasil em Honduras e embarcou rumo à República Dominicana.

A sua saída ocorreu por volta das 15h locais (19h em Brasília), quando o recém-empossado presidente hondurenho, Porfirio Lobo, e o seu colega dominicano, Leonel Fernández, chegaram à embaixada brasileira com uma caravana de cerca de 15 veículos. Na semana passada, os dois firmaram acordo para viabilizar a saída de Zelaya.

“Tudo foi muito cordial e respeitoso. Zelaya e Lobo chegaram a conversar por alguns instantes. Ele também deixou uma carta de agradecimento ao presidente Lula”, disse, por telefone, o encarregado de negócios Francisco Catunda, que estava na embaixada.

A caravana deixou a representação em alta velocidade rumo ao aeroporto, onde algumas centenas de simpatizantes de Zelaya o esperavam. Às 15h30 locais, o avião do governo dominicano decolou com o ex-presidente, a sua mulher, Xiomara, e o assessor Rasel Tomé, que também estavam na representação brasileira.

“Voltaremos”, gritou Zelaya aos jornalistas já no aeroporto.

O exílio de Zelaya começa no mesmo dia em que acabaria seu mandato de quatro anos, interrompido em 28 de junho, quando foi deposto e deportado.

O presidente deposto estava na embaixada brasileira desde o dia 21 de setembro, quando regressou clandestinamente a Honduras, depois de duas tentativas frustradas -a primeira delas, ironicamente, tentando aterrissar no mesmo aeroporto de onde partiu ontem.

A sua volta forçou o governo interino a negociar a possibilidade de retorno ao poder, mas Zelaya acabou fracassando.

Durante o tempo em que ele esteve na embaixada, o governo interino isolou quase completamente o prédio da representação, provocando uma condenação do Conselho de Segurança da ONU, mas que não teve efeito prático.

Lobo conciliador

Prometendo encerrar a crise política que o país vive há sete meses, o conservador Porfirio “Pepe’’ Lobo, 62, assumiu ontem a Presidência de Honduras com um discurso conciliador e, como primeiro ato, sancionou uma lei de anistia ao ex-presidente Manuel Zelaya e aos responsáveis por sua deposição, em 28 de junho de 2009

O decreto inclui o perdão a supostos crimes como “traição à pátria”, terrorismo, usurpação de funções e abuso de autoridade cometidas entre 1º de janeiro de 2008 e ontem.

Lobo também prometeu instalar em breve a comissão da verdade prevista no acordo Tegucigalpa/San José, assinado entre representantes de Zelaya e do governo interino de Roberto Micheletti no final de outubro.

“É justo que o povo hondurenho e o mundo saibam a realidade dos eventos anteriores, durante e depois do 28 de junho”, justificou.

Tanto a anistia quanto a comissão da verdade fazem parte do esforço de Lobo para que seu governo tenha reconhecimento internacional.