10 de julho de 2026
Nacional

Crise hipertensiva leva Lula ao hospital

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Bernardo do Campo - Após uma crise de hipertensão, o presidente Lula descansa ao lado da família em São Bernardo do Campo (SP) e fará um check-up nos próximos dias. Lula está acompanhado da mulher, Marisa Letícia, e de quatro filhos. Ele teve a crise hipertensiva anteontem à noite, já dentro do avião em que iria para Davos (Suíça), onde participaria do Fórum Econômico Mundial

O presidente passou a noite em um hospital de Recife (PE), de onde seguiu para São Bernardo, onde descansará até domingo. Ele deve retornar ao trabalho na segunda-feira.

Lula esteve na Capital pernambucana para cumprir uma agenda intensa durante a tarde e início da noite de anteontem. Durante a inauguração de uma unidade de pronto-atendimento, em Paulista (Região Metropolitana de Recife), ele reclamou de dor na garganta e brincou que não queria ser o primeiro paciente do local.

O petista deixou às 6h58 de ontem o Hospital Português, no Recife. Lula saiu com aparência abatida, vestido com um conjunto de moletom branco. Ele estava acompanhado pelos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais), que passaram a noite toda com o presidente.

O médico da Presidência, Cleber Ferreira, que acompanha o presidente há cinco anos, disse que a pressão arterial de Lula chegou a 18 x 12. O petista passou por exame de eletrocardiograma, raio X do tórax e exame de sangue.

Segundo o médico, a crise hipertensiva pode ter sido provocada por um quadro de estresse e cansaço. Esta é a primeira vez, durante o período que o médico atende ao presidente, que Lula tem uma alteração na pressão arterial. “O presidente não é hipertenso, este é um quadro esporádico”, disse Ferreira. A pressão arterial normal de Lula é de 11 x 8. O cardiologista Roberto Kalil, médico particular de Lula, disse que o petista “vai fazer um check-up nem que seja amarrado pela orelha”. Kalil recepcionou Lula na manhã de ontem no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Dilma disse que o presidente está bem e com a saúde normal. Ela afirmou que a população brasileira pode “ficar tranquila” porque Lula vai retomar, no máximo na segunda-feira, a sua rotina de trabalhos.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, receberá hoje, em nome do presidente Lula, o prêmio de Estadista Global, concedido pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O chanceler brasileiro lerá o discurso que Lula faria na solenidade de entrega do prêmio. Lula será o primeiro chefe de Estado a receber o prêmio de Estadista Global.

A internação às pressas do presidente Lula surpreendeu amigos, integrantes do governo e do PT, que atribuíram o mal-estar à intensa agenda de trabalho e viagens do presidente e recomendaram descanso e avaliações periódicas de saúde.

Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais, que estava com Lula quando ele passou mal, afirmou que o presidente acordou animado, ontem, no Real Hospital Português, em Recife (PE). Da janela do quarto, no 13.º andar do hospital, o presidente comentou com entusiasmo o crescimento da Capital de Pernambuco e o que ainda tinha que ser feito,ainda, na cidade.

Padilha atribuiu o mal-estar do presidente a três dias de agenda intensa de viagens. Ele lembrou que no início da semana, o presidente chegou a Brasília depois da 1h da manhã e recomeçou a agenda cedo. Segundo Padilha, o presidente nem comeu, anteontem, no jantar oferecido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Para o presidente do PT no Estado de São Paulo, Edinho Silva, “o presidente Lula é um trator, sempre teve uma saúde excelente, mas precisava ter descansado mais durante o fim do ano passado, quando precisava de férias maiores e tirou apenas dez dias de folga”, afirmou Edinho.

Depois de dizer que, habitualmente, Lula se cuida em relação à saúde, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento, Orçamento e Gestão) disse que faria “uma inconfidência” e contou ter ouvido de um médico da Presidência da República - cujo nome não revelou - a informação de que o presidente Lula estava em atraso com os exames médicos de rotina.