09 de julho de 2026
Rural

Safra recorde deve reduzir preço da soja


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Produtores de soja do Centro-Oeste iniciaram a colheita neste mês apreensivos com a perspectiva de queda nos preços internacionais. A cotação do grão é pressionada por projeções de safras recordes nos três maiores exportadores, EUA, Brasil e Argentina.

O aumento da área plantada e o clima favorável resultaram na expansão de 20% na produção mundial, o que deve elevar o estoque dos países produtores em 40%, diz o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepa) da Universidade de São Paulo (USP). Apesar de os gastos com custeio terem caído de 10% a 20% neste ciclo, o cenário é menos favorável ao produtor do que em 2009, quando a quebra de 31% na safra argentina e a forte demanda chinesa garantiram altos preços mesmo durante a colheita - cerca de US$ 10 por bushel, que equivale a 27,2 kg de soja.

“Quem não travou (o preço) nada está preocupado por causa da cotação (que tende a cair) e porque a perspectiva é ruim para a safrinha do milho, que mantém preços baixos e estoques altos desde o ano passado”, diz o produtor Eduardo Pagnoncelli Peixoto.

Há dez dias, ele iniciou a colheita dos 2.400 hectares que plantou em sua propriedade, dividida entre os municípios de Chapadão do Céu (GO) e Costa Rica (MS). Para garantir um preço médio, Peixoto vendeu antecipadamente 60% da produção em outubro e novembro por US$ 19 a saca de 60 kg -R$ 34,4 pelo o câmbio de hoje. Com apenas 20% da produção vendida antecipadamente, Rogério Antonio Sandri, 35 anos, teme não cobrir os custos da lavoura se a cotação da soja continuar caindo.

“Estou apreensivo porque já não consigo fechar negócio por R$ 35 (a saca). Abaixo disso, tenho prejuízo”, diz ele, que plantou 830 hectares em Chapadão do Céu. Hoje, o preço da saca era cerca de R$ 32 no município.

Referência em produtividade no Centro-Oeste, a região dos chapadões, que compreende o sul de Goiás e o norte de Mato Grosso do Sul, havia colhido 10% de seus 400 mil hectares até o último fim de semana.

Conforme dados da Fundação Chapadão, mantida por produtores locais, as lavouras devem produzir de 55 a 58 sacas por hectare neste ano, superando a média de 52 sacas do ciclo anterior. Para Lucilio Alves, pesquisador do Cepea, a demanda da China será inferior à oferta neste ano e a supersafra deve recompor os estoques dos principais países exportadores. “Não tem como segurar o preço nessa situação. A cotação deve cair até março, época em que os produtores precisam vender para pagar dívidas. Depois, creio que se estabilize.”

Para o economista e professor da GV Agro Alexandre Mendonça de Barros, o preço internacional da soja deve cair um pouco se as grandes safras no Brasil e na Argentina se confirmarem, mas há um “viés de estabilidade” em torno de US$ 9,7 por bushel.

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Milho lota armazéns

O represamento de milho nos armazéns gerais do Centro-Oeste, provocado pela superprodução de 2009 e pelos preços baixos do cereal, impedirá o armazenamento da soja que começa a ser colhida na região, segundo produtores e proprietários de armazéns. Sem alternativas para guardar o grão, a maioria dos sojicultores terá de entregar o produto logo após a colheita para as “tradings”, empresas que compram e exportam.

Depois de receber, essas empresas esmagam ou mandam a soja para outro país, mantendo a capacidade de recebimento. Com poder de negociação reduzido, o produtor terá duas alternativas: vender imediatamente ou entregar o grão para as empresas e ficar com uma carta de crédito em mãos, que lhe permite faturar no futuro.