Piraju - Um grupo de índios da etnia terena tentou invadir anteontem à tarde parte da fazenda Ceres em Piraju, mas depois de negociação com a Polícia Militar desistiram de continuar na propriedade. A área já estava sendo demarcada para agricultores. Os assentados reagiram à tentativa de invasão. Foi necessária a intervenção da Polícia Militar para impedir o confronto.
Os índios sairam da região de Bauru e se deslocaram num ônibus fretado até Piraju. O plano era invadir a antiga fazenda Ceres, um projeto polêmico de assentamento idealizado pelo presidente da Força Sindical e deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT).
Os indígenas – seis homens, sete mulheres e 13 crianças – após deixarem a fazenda ficaram alojados no Centro de Lazer Elias José no Nosso Teto. Segundo Albino Terena, em entrevista ao jornal Folha de Piraju o grupo veio da fazenda Noiva da Colina, em Borebi, onde estavam acampados com sem-terra que acompanham há algum tempo.
Ele disse que eles procuram terra para cultivo e foram informados por outros índios, um guarani de nome Dé da região de Bauru, que a fazenda Ceres tinha uma área pertencente aos índios e seria improdutiva. Ele afirma que é natural do Mato Grosso.
Segundo o sargento da PM Paulo Donizetti de Souza, uma das crianças teve problemas de saúde e foi hospitalizada no Hospital de Piraju. O policial ajudou na negociação. O único momento mais tenso foi quando os assentados, que residem na área, ameaçaram expulsar os índios do local. A prefeitura forneceu um micro-ônibus para os índios removerem os pertences pessoais e alojá-los em um ginásio.
O sargento convenceu os indígenas que a área não era apropriada devido a presença de cobras venenosas.
Ontem, depois de receberem a visita de um representante da Funai, seguiriam para Avaí. O cacique informou que pelo menos 40 índios estão sem aldeia e aguardam uma solução da Funai.