10 de julho de 2026
Internacional

Em depoimento, Blair diz que invadiria novamente o Iraque

Folhapress
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Londres - O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair (1997-2007) disse ontem que não se arrepende da controversa decisão de participar da invasão do Iraque liderada pelos EUA, em 2003, e sugeriu uma ação semelhante contra o Irã.

As declarações foram feitas em depoimento de seis horas de duração diante de uma comissão independente que investiga o impopular envio de 45 mil soldados britânicos na ofensiva que derrubou o ditador Saddam Hussein.

A comissão não tem poderes legais mas embaraça os líderes que endossaram o pretexto, que se comprovou falso, de que Saddam desenvolvia armas de destruição em massa destinadas a ser lançadas contra o Ocidente, a exemplo dos atentados de 11 de Setembro de 2001. Feita à revelia da ONU e de potências como Rússia e França, a invasão do Iraque abriu uma era de violência sectária no Iraque que deixou até agora cerca de 100 mil mortos, entre eles 179 britânicos.

“A decisão que tomei -e francamente tomaria de novo - foi que, se houvesse qualquer possibilidade de que (Saddam) pudesse desenvolver armas de destruição em massa, nós deveríamos impedi-lo”, disse Blair.

Atual representante do Quarteto para o Oriente Médio (ONU, União Europeia, EUA e Rússia), Blair afirmou que os atentados de 11 de Setembro levaram a uma mudança de pensamento no Ocidente e exigiam que fossem revisados os “cálculos do risco” representado por regimes inimigos. Segundo o ex-premiê, Saddam acabaria tendo armas de destruição em massa cedo ou tarde.