09 de julho de 2026
Polícia

Assassino de Adriana pode ter tido ajuda

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Na primeira vez em que se manifestou oficialmente sobre o assassinato da representante comercial Adriana Melanda, 33 anos, depois de decretado segredo de Justiça no caso, a Polícia Civil admitiu que uma segunda pessoa pode estar envolvida no crime. O delegado Silberto Sevilha Martins, que preside o inquérito, confirmou a hipótese ontem durante entrevista coletiva concedida no 1º Distrito Policial (1º DP) de Bauru, na Vila Falcão.

A constatação foi feita numa das vezes em que a polícia esteve no lugar onde o cadáver foi localizado - uma cova rasa no interior de uma mata, no bairro rural de Quirilândia, na região leste da cidade. “Segundo um dos peritos me informou, seria necessário o esforço de mais de um indivíduo para deixar o corpo naquela posição (em decúbito ventral, ou seja, com a barriga voltada para baixo e os braços estendidos). Isso reforça a tese de que há no mínimo duas pessoas envolvidas no crime”, afirmou Martins.

Como, porém, a investigação ainda está em sigilo de Justiça, o delegado não quis adiantar informações sobre o possível suspeito. “Vamos chegar até ele”, garantiu. Por enquanto, a Polícia Civil e o Ministério Público trabalham com a tese de que Adriana foi vítima de latrocínio cometido pelo técnico de elevadores Vander Pedroso Cuba, 28 anos, como o JC adiantou na edição de sábado.

Ele permanece preso desde 4 de dezembro do ano passado, após ser encontrado pela polícia com o carro e o celular de Adriana. Na época, Vander alegou ter comprado o veículo (um Fiesta Sedan, ano 2009) de um homem, identificado apenas como Osvaldo, por cerca de R$ 6 mil - teria oferecido uma entrada de R$ 800,00 e parcelado o restante da dívida.

A polícia sustenta que o carro não foi comprado, mas sim roubado, enquanto a vítima se dirigia à residência de sua costureira, no Núcleo Gasparini (zona norte da cidade). No último dia 2 de dezembro, Adriana, que é funcionária do Banco Ford, viajou para Marília a afim de visitar algumas concessionárias da marca. Por volta das 18h, ela conversou por telefone com o marido, o também representante comercial Paulo da Silva Dias.

Esse foi o último contato que Adriana manteve com a família. Em 15 de dezembro, a polícia localizou um corpo em estado de putrefação enterrado numa vala em Quirilândia. Análises da arcada dentária do cadáver realizadas pela especialista em odontologia legal Andréa Cristina Güther Sgarbi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), comprovaram que o corpo era mesmo da representante comercial. Durante a coletiva, o diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, Alberto Briani, aproveitou para divulgar o resultado do exame de DNA realizado com amostras do cadáver. Como era esperado, o teste confirmou que o corpo era o de Adriana.

____________________

Morte foi por asfixia

O Instituto Médico Legal (IML) de Bauru confirmou que a representante comercial Adriana Melanda morreu por asfixia. Devido ao avançado estágio de decomposição do cadáver, os especialistas não conseguiram determinar se ela sofreu ou não abuso sexual. Partes do corpo de Adriana foram devoradas por animais silvestres.

A análise da arcada dentária do corpo mostrou que três dentes incisivos haviam sido arrancados da boca de Adriana. A polícia não confirma se isso ocorreu em decorrência de algum golpe que ela sofreu no rosto ou se os dentes saíram enquanto a representante comercial era arrastada em direção à cova, em Quirilândia.

A perícia vasculhou a área à procura dos dentes, mas não conseguiu localizá-los. Pelos indícios encontrados até agora, a polícia está certa de que Adriana não morreu em Quirilândia. Por enquanto, porém, o delegado Silberto Sevilha Martins, prefere não revelar informações sobre onde o crime teria ocorrido.