O grupo teatral de Ruth Escobar, em plena ditadura militar, preparava-se para estrear uma peça de Bertold Brecht e organizou o ensaio final, para que o censor pudesse avaliar a peça, para ver se não atentava contra os bons costumes e, principalmente, contra a segurança nacional. Nem mesmo iniciaram a apresentação, o censor determinou de forma enérgica que parassem com tudo. Julio Prates, um dos atores, indaga ao militar designado para a censura:
- O que acontece, meu caro?
- Cadê o autor da peça? Só avalio na presença dele!
- Vai ser muito difícil ele vir, responde o calmo Júlio.
- Como assim? Tem que estar presente!!!
- Como Brecht morreu faz tempo... só se tivermos um “médium” para incorporá-lo e, assim, assistir à peça, como seu desejo.
Resultado: O censor deu voz de prisão para Julio Prates, que ficou três dias curtindo a hospitalidade do antigo DOPS.
Enviado por Antonio Pedroso Junior