07 de julho de 2026
Politicando

Censor sem senso


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O grupo teatral de Ruth Escobar, em plena ditadura militar, preparava-se para estrear uma peça de Bertold Brecht e organizou o ensaio final, para que o censor pudesse avaliar a peça, para ver se não atentava contra os bons costumes e, principalmente, contra a segurança nacional. Nem mesmo iniciaram a apresentação, o censor determinou de forma enérgica que parassem com tudo. Julio Prates, um dos atores, indaga ao militar designado para a censura:

- O que acontece, meu caro?

- Cadê o autor da peça? Só avalio na presença dele!

- Vai ser muito difícil ele vir, responde o calmo Júlio.

- Como assim? Tem que estar presente!!!

- Como Brecht morreu faz tempo... só se tivermos um “médium” para incorporá-lo e, assim, assistir à peça, como seu desejo.

Resultado: O censor deu voz de prisão para Julio Prates, que ficou três dias curtindo a hospitalidade do antigo DOPS.

Enviado por Antonio Pedroso Junior