Em visita à região de Bauru, o secretário nacional de Movimentos Populares e Políticas Setoriais do PT, Renato Simões, criticou o abordagem adotada nas recentes prisões de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e membros do diretório do partido em Iaras, na região de Avaré.
No último dia 26, o Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4), cuja sede é em Bauru, mobilizou 45 viaturas e 150 homens, distribuídos em 42 equipes, para cumprir mandados de prisão contra 17 pessoas envolvidas na ocupação da fazenda Santo Henrique, no município de Borebi, alvo de uma disputa judicial entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Sucocítrico Cutrale, que alega ser dona da área.
A ocupação aconteceu no final do ano passado e os sem-terra foram acusados pela empresa de furtar e danificar materiais guardados na propriedade, bem como destruir parte dos pés de laranja cultivados no local. Os mandados de prisão foram emitidos pela Justiça ainda em dezembro, em caráter de urgência, mas as prisões só ocorreram no fim de janeiro.
Nove pessoas foram presas, entre elas o ex-vereador Miguel da Luz Serpa, sua esposa, a vereadora Rosimeire de Almeida Serpa, e o ex-prefeito de Iaras Edilson Granjeiro Xavier, todos do PT. A ação foi acompanhada de perto pela imprensa, que captou as imagens dos capturados enquanto estavam de algemas em punho.
Na opinião de Simões, a operação foi montada especialmente para os meios de comunicação. “Não faz parte das normas da Polícia Civil ser acompanhada de perto pelos veículos midiáticos. A polícia não pode ficar a serviço do espetáculo”, critica Simões.
Ele aproveitou para fazer uma analogia entre a forma como os sem-terra foram tratados e as prisões do banqueiro Daniel Dantas e do ex-prefeito Celso Pitta, ocorridas em 2008. “Houve pessoas que se indignaram pelo fato de Pitta ter sido pego pela polícia em sua casa, ainda de pijama, mas não se importaram com o que foi feito aos integrantes do MST”, diz o secretário.
Simões também questiona a postura das autoridades responsáveis pela investigação do caso, que têm liberado as gravações da ocupação para veículos de comunicação. “Causa estranhamento o fato de a polícia ceder apenas imagens fragmentadas que incriminam os sem-terra”, diz.
Hoje, às 18h, Simões e demais membros das direções municipal, estadual e nacional do PT irão se reunir na Câmara Municipal para formar uma frente em defesa das pessoas presas na operação. Deverão participar do ato militantes do MST e integrantes de sindicatos e movimentos populares de Bauru. O evento foi convocado pelo vereador Roque Ferreira (PT), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Casa.
Ontem pela manhã, dirigentes de 12 sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reuniram na sub-sede da entidade para discutir aquilo que definem como a “criminalização dos movimentos sociais”. “A mídia e as autoridades estão tentando desviar o foco da questão. Na verdade, quem invadiu as terras foi a Cutrale. Aquela área pertence à União. Os pés de laranja que aparecem na TV sendo derrubados pelos sem-terra não pertenciam à empresa, mas sim ao povo brasileiro”, acredita o diretor do Sindicato dos Eletricitários de Bauru (Sinergia-CUT) Éverton Rodrigues de Matos.