11 de julho de 2026
Regional

Polícia indicia mais 15 por depredação na fazenda da Cutrale

Por Lilian Grasiela | Com José Maria Tomazela
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil de Bauru indiciou em inquérito mais 15 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acusados de participar da suposta depredação da fazenda Santo Henrique, da Cutrale, em outubro do ano passado. Eles foram reconhecidos em imagens de vídeos apreendidos durante a prisão dos sete principais acusados, no último dia 26.

O delegado de Borebi (45 quilômetros de Bauru), Jader Biazon, confirmou ontem que vai pedir esta semana à justiça a prisão preventiva das vinte pessoas envolvidas com o MST já identificadas pela polícia. Sete pessoas estão presas temporariamente desde 26 de janeiro. Outras treze, apesar da prisão decretada pela justiça, encontram-se foragidas.

Nesta semana, vence o segundo prazo da prisão temporária de cinco dias decretada pela juíza da 1ª vara da Justiça de Lençóis Paulista, Ana Lúcia Aiello Garcia, expedida no final da última semana.

Segundo o delegado, o inquérito que apura o caso já tem mais de mil páginas e deve ser concluído ainda hoje para que seja encaminhado à Justiça junto com pedido de prisão preventiva, o que estenderia a permanência dos acusados na cadeia. O prazo para conclusão do inquérito termina amanhã.

“O conjunto probatório é bem robusto. Nós acreditamos que a justiça irá decretar a prisão preventiva não só dos que já estão presos, mas também dos que ainda não foram localizados”, afirma.

Biazon revela que as armas, munições e computadores apreendidos durante a operação laranja, comandada pelo Departamento de Polícia Judiciária (Deinter-4) de Bauru ainda serão encaminhados para análise da perícia.

Na ocasião, foram presos o ex-prefeito de Iaras Edilson Grangeiro Xavier (PT); a vereadora Rosimeire Pan D’Arco de Almeida Serpa (PT); e o marido dela, Miguel da Luz Serpa, líder do MST na região.

Os demais detidos são Máximo Alvino de Oliveiras, “Seu Máximo”, 60 anos; Paulo Rogério Beraldo, 22 anos; Anselmo Alves Villas Boas, “Gaúcho”, 45 anos; e Carlos Alberto da Luz Serpa, 26 anos. Treze sem-terra com mandados de prisão expedidos pela Justiça não foram localizados.

Os advogados dos acusados afirmam que não existe mais a necessidade de os sete sem-terra ficarem presos.

Eles devem ajuizar ainda hoje com recurso em São Paulo para tentar libertar da cadeia os acusados de depredar a propriedade da Curtale.

Os sem-terra estão presos por ordem judicial do juiz Mário Ramos dos Santos, que estava respondendo pela 1ª Vara de Lençóis Paulista. A operação busca punir os responsáveis pela ocupação da Fazenda da Cutrale, em Borebi, ocorrida em outubro.

Um vídeo divulgado pela Polícia Militar flagrou os sem-terras derrubando centenas de pés de laranja com um trator. Segundo a polícia Civil, o trator estava sendo dirigido por Paulo Beraldo. O MST justificou na data que, no lugar das árvores derrubadas, plantaria feijão. Após a ordem de desocupação da fazenda, a propriedade foi depredada. Os policiais alegam que constataram o furto de ferramentas, defensivos agrícolas, fertilizantes, documentos e aparelhos eletrônicos, mas os sem-terra negam as denúncias.

O grupo acusa a Cutrale de ocupar uma área pertencente ao governo. A posse da fazenda é reivindicada na Justiça pelo Incra.