Depois de amargar perdas sucessivas no final de 2008 e em quase todo o ano de 2009 em razão da crise econômica mundial, as indústrias exportadoras de Bauru finalmente começam a dar sinais concretos de recuperação. Em dezembro do ano passado, as vendas ao mercado externo cresceram 133% em relação ao mesmo período de 2008, quando a turbulência financeira atingiu seu ápice.
Na época, a remessa de produtos ao Exterior teve queda acentuada, não ultrapassando os US$ 6,114 milhões e, como consequência, a balança comercial (diferença entre exportações e importações) ficou negativa. Já no último mês de 2009, as exportações alcançaram US$ 14,294 milhões, resultado bem próximo ao atingido em dezembro de 2007, antes da chegada da crise ao Brasil.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o setor industrial bauruense começou a demonstrar retomada de fôlego a partir de novembro do ano passado, com crescimento de 13% no volume de exportações, se comparado ao mesmo período de 2008. Nos meses anteriores, os resultados vinham sendo sempre negativos.
Foi essa melhora, inclusive, que permitiu ao setor um desempenho menos pior do que o esperado pelos empresários. No levantamento anual, as exportações de 2009 renderam US$ 138,670 milhões às industrias da cidade, ante os US$ 186,410 milhões arrecadados em todo 2008, uma queda de 25,6%.
Segundo o coordenador do grupo de comércio exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Andrey Valério, a alavancada dos níveis de exportação está intimamente ligada à retomada do ritmo da produção industrial local, até então desacelerado pelo fechamento do mercado internacional. “No último trimestre do ano passado, houve um reaquecimento da economia no mundo todo, o que possibilitou que a indústria nacional fosse, aos poucos, se recuperando”, destaca ele, que também é diretor de relações internacionais e comércio exterior do Ciesp em São Paulo.
Embora o desempenho da indústria bauruense em janeiro deste ano ainda não tenha sido divulgado, a expectativa é que o crescimento da exportação se aproxime de 27% em relação ao mesmo mês de 2009, índice que foi alcançado em âmbito nacional. “Com isso, deveremos chegar aos níveis de janeiro de 2008. Mas é importante salientar que ainda levará um tempo até que a indústria volte a crescer como vinha naquele momento”, frisa.
Fim da inércia
Logo após abandonarem o estado de inércia, o coordenador acredita que as empresas que têm como principal cliente o mercado externo não deverão apresentar vendas extraordinárias até o final de 2010. O esperado é que os empresários possam comemorar, e muito, se conseguirem chegar aos mesmos patamares de 2008, quando o setor industrial estava em franca expansão e bateu recordes de exportação e de superávit na balança comercial dos últimos dez anos.
“O fato de Bauru importar muita matéria-prima e exportar essencialmente produtos acabados é um grande favorecedor para que essa recuperação ocorra. Essas mercadorias remetidas ao mercado externo têm maior valor agregado e demanda maior quantidade de mão-de-obra, o que contribui, inclusive, para a retomada dos níveis de emprego anteriores à crise”, detalha Valério.
De acordo com o levantamento da Secex, no ano passado os produtos mais vendidos por empresas de Bauru a outros países foram, pela ordem, barras de ferro e aço (US$ 48,908 milhões), carnes bovinas desossadas congeladas, frescas ou refrigeradas (US$ 25,312 milhões) e baterias elétricas de chumbo (US$ 16,219 milhões)
Em relação às importações, lideram a lista as formas brutas de chumbo refinado, com US$ 10,479 milhões de participação no total de 2009. Em segundo lugar, vêm chapas de polímero de etileno (US$ 3,004 milhões), utilizados para a fabricação de baterias elétricas, e, em terceiro, chumbo refinado (US$ 2,993 milhões). Os países que mais importaram produtos de Bauru são Bolívia, Filipinas e Paraguai. Os que mais remeteram mercadorias para a cidade são China, México e Estados Unidos.
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Cultura de exportação
Ainda que o mercado internacional seja altamente influenciado pelas flutuações do dólar e por condições econômicas nem sempre favoráveis ao redor do mundo, o coordenador do grupo de comércio exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, Andrey Valério, defende que Bauru precisa aprimorar sua cultura de exportação. Na prática, os empresários do setor industrial precisam buscar soluções para problemas gerenciais e tecnológicos, com o objetivo de incrementar a competitividade e conquistar espaço no mercado externo.
“Há muitos produtos que poderiam ser exportados e não são. A maioria dos empresários sente dificuldade em encontrar compradores lá fora, mas existe demanda pelos produtos fabricados aqui. O que falta é encontrar o caminho para que essa negociação ocorra”, salienta.
Para tanto, conforme Valério, as indústrias devem procurar os serviços de apoio disponíveis nas instituições governamentais e do setor privado. “Elas podem ajudar a empresa a se organizar melhor, diminuindo custos, modernizando processos e aumentando sua competitividade no mercado”, completa.