10 de julho de 2026
Política

Radioterapia: licença sai em 15 dias

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 2 min

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) informou ontem que tem prazo de 15 dias para analisar o pedido de licença de funcionamento da cápsula de cobalto utilizada na radioterapia do Hospital Manoel de Abreu, em Bauru. Caso o pedido seja deferido, o tratamento poderá ser reiniciado a qualquer momento.

A notícia servirá de alento aos 40 pacientes que, desde o ano passado, realizam o tratamento no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, que fica a 47 quilômetros de Bauru. A Secretaria de Estado da Saúde informa que o retorno dos pacientes ao serviço no município deverá ser gradativo. A assessoria do Hospital Estadual, cuja fundação também administra o Manoel de Abreu, informou que o tratamento deverá ser retomado mediante a obtenção da licença de funcionamento pelo órgão federal.

A radioterapia em Bauru foi desativada no dia 10 de junho do ano passado. Na época, foi detectada que a ampola de cobalto, responsável por emitir a radiação necessária para o combate ao câncer, estava com atividade muito baixa e precisaria ser trocada. Por ser material tóxico, a Vigilância Sanitária determinou a desativação temporária do aparelho para garantir a segurança dos pacientes e funcionários.

Como os equipamentos de radioterapia são importados dos Estados Unidos, assim como suas peças, a reposição da ampola de cobalto teve de obedecer o trânsito burocrático para chegar até a cidade. O material precisou ser liberado no aeroporto de Campinas e transportado com escolta até Bauru. O Ministério do Trabalho também teve de autorizar a entrada de técnicos norte-americanos para instalar o equipamento. A fonte de cobalto, que está no Brasil desde o dia 1º de setembro, foi instalada no último dia 7 no Hospital Manoel de Abreu.

CPI

O serviço chegou a estar na mira da CPI do Erro Médico. A diretora da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves, o diretor do Hospital Estadual (HE) Antero de Miranda, que gerencia a instituição hospitalar, além de Eduardo Stéfano, responsável técnico da empresa Quantum Assessoria em Física Médica Ltda, prestaram depoimentos na comissão.

Declarações à CPI haviam revelado que a tinha a metade da dose exigida por resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando foi inutilizada, no final de maio de 2009. Mesmo constatada a baixa potência do material um ano antes, a Cnen emitiu autorização para o funcionamento do equipamento até 2010.