A polêmica em torno da prisão de militantes do Movimento do Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e membros do diretório do PT de Iaras acusados de envolvimento na ocupação da fazenda Santo Henrique, em Borebi, deverá servir de munição tanto para o PSDB quanto o PT na disputa presidencial deste ano.
Ontem, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) se manifestou a respeito do episódio, ocorrido no último dia 26. Na ocasião, sete integrantes do MST e três membros do PT foram presos numa megaoperação realizada pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4), cuja sede é em Bauru, sob acusação de terem ajudado a depredar e furtar materiais que estavam guardados na propriedade, além de derrubada de 3 mil pés-de-laranja. “No último dia 26, a polícia apenas cumpriu mandados de prisão expedidos pela Justiça contra 17 militantes e simpatizantes do MST, como determina a Constituição, em casos de invasões, depredações, roubos atos de vandalismo”, afirmou o deputado, em nota enviada ao JC.
A área, ocupada pelos sem-terra no final do ano passado, é alvo de uma disputa judicial entre a União e a Sucocítrico Cutrale, que diz ser dona das terras. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) afirma que a fazenda pertence ao Estado e foi grilada pela empresa.
O deputado também rebateu as críticas feitas ao Governo do Estado durante o ato em defesa da reforma agrária realizado na Câmara Municipal, na noite de anteontem. O evento reuniu lideranças de diferentes partidos de esquerda (entre eles o Psol e o PSTU, que fazem oposição ao PT), que acusaram o governador José Serra (PSDB) de tentar colher dividendos eleitorais com as prisões dos integrantes do movimento.
“Essa estratégia faz parte do populismo autoritário, que pretende impor um atentado à lei e à Constituição com a surrada retórica da luta dos pobres contra os ricos ou o camponês contra o senhor de terra. É o velho PT que aposta na divisão do País para se perpetuar no poder”, afirmou Tobias.
Ao comentar sobre o decreto que lançou o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), assinado pelo presidente Lula no final do ano passado, o deputado disse que a esquerda tenta “ideologizar” a campanha presidencial deste ano. “É necessário reiterar que os direitos humanos proclamados pelo PT e seus aliados não são nada democráticos e nem mesmo respeitam o direito brasileiro”, ressaltou, acrescentando que nenhuma das entidades defendidas por ele é contra os direitos humanos nem a reforma agrária.
O parlamentar finalizou dizendo que os discursos feitos pelos militantes de partidos de esquerda na última quarta-feira são tão ultrapassados e autoritários quanto o decreto original petista do Plano Nacional de Direitos Humanos, que propõe intervenções no Poder Judiciário, ataca o direito de propriedade e tenta coibir a livre expressão de pensamento. “Na verdade, é uma agressão à democracia, assim como o presidente venezuelano Hugo Chávez está fazendo em seu país”, salienta Pedro Tobias.