10 de julho de 2026
Bairros

Crianças ficam sem aula no 1.º dia letivo

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Era para ser o primeiro dia de aulas para dezenas de crianças moradoras dos núcleos Gasparini e Índia Vanuíre, na zona norte de Bauru. Muitas delas nunca haviam pisado numa escola e estavam ansiosas para conhecer os professores e colegas de sala. Acabaram ficando só na vontade.

Os alunos da escola municipal de ensino infantil (Emei) Maria Elizabet Cammilo de Pádua, no Índia Vanuíre, chegaram a ser recebidos e apresentados aos professores, ontem pela manhã. Por volta das 9h, tiveram de ser liberadas pois a direção da unidade de ensino, em consenso com os próprios pais e o corpo docente, considerou que o imóvel não oferece condições de segurança às crianças. Logo pela manhã, várias mães entraram em contato com o Jornal da Cidade para reclamar da situação. Segundo elas, o espaço de recreação da Emei não recebe manutenção adequada desde setembro do ano passado. A direção da escola confirma o fato. O playground está repleto de mato, folhas e galhos de árvores.

A sujeira não foi o único fator levado em conta para as aulas serem suspensas. O grande problema apontado por pais e funcionários é falta de muro nos fundos da escola. A reportagem apurou que, no período noturno e aos finais de semana, o local costuma ser frequentado por vândalos e usuários de drogas. Não foram raras as vezes em que os invasores chegaram a agredir verbalmente professoras e funcionários da Emei. “Eu mesma já ouvi palavrões que tenho vergonha de repetir”, afirma a diretora Tereza Ricci. As mães temem pela segurança das crianças. “Já imaginou se oferecem drogas para uma dessas crianças?”, questiona a técnica em radiologia Priscila da Silva Santos, 24 anos. Ela tem uma filha de 5 anos que estuda na escola.

“Essa situação me deixa indignada. Para o Carnaval, a prefeitura tem dinheiro, mas a educação é deixada à míngua”, dispara a dona de casa Cristiane da Silva, 33 anos, mãe de um garoto de 5 anos. As mães contam que animais peçonhentos (cobras, inclusive) já foram encontrados nas dependências da escola.

Um dos fatores que dificultaram a construção do muro é a presença de árvores de grande porte ao lado da divisa do terreno. Galhos e raízes aéreas ameaçam residências vizinhas aos fundos da Emei. A diretora afirma ter solicitado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) que fizesse uma vistoria no local.

O laudo emitido por especialistas afirma que as árvores não necessitam ser removidas. Por essa razão, a Semma deverá providenciar a poda de galhos e raízes aéreas que possam prejudicar as casas vizinhas. A secretária de Educação, Vera Casério, garantiu à reportagem que, nos próximos dias, funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano de Bauru (Emdurb) farão a capinação do terreno da escola.

“Esse serviço será totalmente gratuito para a população”, frisou ela. A reportagem apurou que, até o ano passado, a limpeza do terreno dependia da boa-vontade dos pais dos alunos. A Associação de Pais e Mestres (APM) da Emei costumava coletar doações junto às famílias para fazer a capinação do terreno.

Casério afirmou que, ainda hoje, técnicos da Secretaria de Obras irão à Emei para iniciar a instalação de tapumes na divisa do terreno. De acordo com ela, a construção do muro deverá ser iniciada antes do Carnaval.

Hoje, provavelmente, os alunos deverão novamente ser liberados mais cedo. Está previsto que eles participem apenas das atividades em sala de aula. Casério explica que essa prática é comum nas primeiras semanas de aula, uma vez que as crianças ainda estão em processo de adaptação ao universo escolar.