Em 6 de fevereiro de 2009, Bauru perdia o talento de Jurandyr Bueno Filho. O arquiteto e vereador bauruense morreu aos 66 anos, por falência múltipla dos órgãos, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. O parlamentar não resistiu à cirurgia para restaurar complicações coronárias. Um ano depois, amigos e políticos relembram a perda prematura de um dos principais entusiastas do desenvolvimento da cidade.
“Falar no Jurandyr é falar na história de Bauru. Como estudante de arquitetura, ele foi convidado pelo então diretor da Faculdade de Odontologia e fez o plano diretor do nosso câmpus, onde ele já incluiu a avenida Nações Unidas. Temos até hoje, dentro da biblioteca, o primeiro projeto que ele fez para Bauru”, relembra o superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, que foi amigo de Jurandyr durante 4 décadas.
Vice-prefeito na gestão de Edmundo Coube na década de 70, comandante da área de planejamento urbano da Prefeitura de Bauru nas gestões de Alcides Franciscato e Osvaldo Sbeghen, Jurandyr assumiu seu primeiro mandato de vereador em 1º de janeiro do ano passado.
O presidente dos grupos Prata e Cidade, Alcides Franciscato, foi o prefeito que levou Jurandyr Bueno Filho para o Palácio das Cerejeiras. "Neste momento de saudades do nosso Jurandyr, é justo que se relembre a atuação do homem que começou a projetar a cidade para a modernidade, nos anos 70, com a elaboração do Plano Diretor de Bauru", relembra Franciscato. Segundo o empresário, Jurandyr deixou muitas saudades não apenas por sua reconhecida competência, mas também por sua honestidade, espírito público, lealdade e amizade".
Logo no início da função parlamentar, em 2009, o arquiteto esteve à frente do projeto de construção da nova Câmara Municipal de Bauru. Entretanto, não chegou a levar a proposta adiante. O primeiro suplente do PPS, Moisés Rossi, assumiu a vaga deixada por ele. “A gente não tem como substituir Jurandyr Bueno. Ele é insubstituível. Uma pessoa que deixou atrás de si um rastro fantástico de realizações. A gente está fazendo um trabalho dentro daquilo que a gente pode, e tentando manter a memória do Jurandyr presente. Para mim, a palavra que melhor o define é forte. Ele foi um realizador”, afirma Rossi.
Para o vereador e amigo José Roberto Segalla, Jurandyr faz muita falta no Legislativo de Bauru. “Conheci o arquiteto há mais de 40 anos. Ele é primo da minha mãe. E na fase em que ele estudava em São Paulo e eu estava na engenharia, por mais de uma vez nós tivemos oportunidade de nos encontrarmos e trocarmos ideias. Esse relacionamento voltou a se estreitar agora, quando nós nos elegemos para a Câmara Municipal. Nós nos reunimos no período entre o final da eleição e a posse e debatíamos os assuntos que pretendíamos trabalhar na Câmara. Nesse sentido, a morte do Jurandyr fez muita falta, não só para a cidade de Bauru, como também para a viabilização dos nossos projetos.”
Trajetória
Formado em arquitetura e urbanismo, em 1967, pela Universidade de São Paulo (USP), e mestre em urbanismo também pela USP, Jurandyr Bueno Filho foi detentor de um currículo invejável. Realizou durante 40 anos o projeto da USC e 30 anos o do Centrinho. Assinou o Hospital Unimed Bauru e os prédios das Caixas Econômicas Estadual e Federal, além de conquistar, em 2005, o prêmio Cosipa-Usiminas na Bienal Internacional de Arquitetura, pelo projeto do Posto Rodostar.Foi membro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Jurandyr Bueno foi o arquiteto responsável pelos projetos que modernizaram Bauru, obras importantes que se tornaram “cartões-postais” da cidade como a avenida Nações Unidas, o anfiteatro Vitória Régia, o Terminal Rodoviário, o Zoológico e as praças República do Líbano, Itália e Espanha. Prédios de alto padrão que chamam a atenção pela magnitude e beleza, como o Campus da USC e muitas outras em toda a região, em vários Estados como Palmas, no Tocantins.