Como um desafio, a arte com o lápis e o papel começou a ser desenvolvida aos 12 anos, quando Kételin observava os cavalos que pastavam no sítio de uma tia. “Eu ficava olhando, desenhava, desenhava, mas não ficava tão bom. Aí eu via onde podia melhorar, arrumava algum detalhe, mudava outro, até ficar do jeito que eu queria”, detalha.
Nos estudos, segundo ela, não era diferente. “Um dia, meu professor de matemática deu um problema para os alunos resolverem em 15 dias e disse que o exercício era o mais difícil de um vestibular. Eu fiquei quebrando a cabeça e, dias depois, levei o que eu tinha feito na escola. Fui a única da sala que conseguiu resolver e, quando mostrei para o professor, ele me disse: o que você ainda está fazendo aqui?”, relata, rindo de si mesma.
Foi com essa postura perseverante e com o apoio dos pais, que sempre cobraram dela boas notas, que Kételin conseguiu o que parecia quase impossível. “Todo mundo dizia que era perda de tempo eu me inscrever no vestibular, me colocavam para baixo, dizendo que eu nunca ia conseguir passar. Chegou uma hora que nem eu acreditava mais, só se fosse um milagre”, recorda-se.
Mas, apesar das dificuldades e desestímulos, o esforço foi recompensado quando ela confirmou a presença de seu nome na lista de aprovados da Unesp, em um inesquecível 29 de janeiro de 2010.
Agora, com mais quatro anos de estudo pela frente, ela decidiu assumir a responsabilidade por seus gastos e já conseguiu um emprego em uma creche próxima de sua casa. Com o salário, pretende ao menos custear o transporte diário até a universidade e os materiais utilizados no curso.
Com planos para dar aulas ou trabalhar “em qualquer coisa que envolva arte”, ela dá a receita para o sucesso que obteve e também para o que ainda está por vir. “Nada na vida da gente vem de maneira fácil. Acho que o importante é pensar positivo, confiar em si mesmo, aproveitar as oportunidades, ficar próximo das pessoas que te incentivam e não desistir nunca”, ensina.