09 de julho de 2026
Nacional

Prédio se desloca e moradores vizinhos saem às pressas em SP

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Moradores de um edifício na Barra Funda (zona oeste de São Paulo) tiveram que deixar seus apartamentos às pressas na noite de anteontem, com medo de que o prédio desabasse. Um edifício comercial, colado a ele, se desgrudou, abrindo uma fenda e causando estrondos, queda de reboco e vidros quebrados.

O descolamento foi causado por uma movimentação do solo que pode ter sido provocada pela construção de um prédio no terreno ao lado, segundo dois engenheiros ouvidos pela reportagem. A obra, um edifício de 28 andares e 168 apartamentos residenciais, é da Gattaz Engenharia. A empresa diz que só se pronunciará após o resultado de um laudo técnico que apontará as causas do acidente.

Ontem, a Defesa Civil decidiu interditar os dois edifícios por pelo menos três dias. Os moradores irão para hotéis, pagos pela Gattaz, que também colocará 14 estacas na fundação do prédio comercial, para evitar novos deslocamentos.

Os fortes estrondos começaram por volta das 23h de anteontem. Segundo a Defesa Civil, uma fenda de 2,5 cm se abriu entre os prédios. Um novo estrondo, às 2h de ontem, aumentou o espaço para 4 cm.

Assustados, muitos moradores correram para fora do prédio ainda de pijama quando ouviram os primeiros ruídos. Alguns, que já dormiam, não perceberam a movimentação e só saíram depois da chegada dos bombeiros. “Estava na cama e ouvi o interfone tocar, não atendi. Pensei: ‘Isso lá é hora de tocar o interfone?’”, contou a aposentada Sarah Obeid, 61 anos, um dos 130 moradores do edifício, construído há 36 anos no número 225 da rua Tagipuru. “Ele voltou a tocar e fui ver. Era o porteiro pedindo para sair.”

Como muitos vizinhos, ela passou a madrugada na calçada, à espera de autorização para voltar para casa. O aval da Defesa Civil só chegou pela manhã, quando os moradores tiveram cinco minutos para pegar objetos pessoais. No prédio comercial, os funcionários também puderam retirar móveis.

Apesar da interdição dos prédios, a prefeitura diz que não há risco de desabamentos. Os engenheiros Miriana Marques, do Instituto de Engenharia, e Milton Golombek, especialista em fundações, concordam.