10 de julho de 2026
Internacional

Sanções ao Irã afetam só o povo, diz Nobel

Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

Terrã - A advogada iraniana e militante dos direitos humanos Shirin Ebadi, vencedora do Nobel da Paz em 2003, disse ontem que a repressão do governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad aos grupos opositores piorou e que, por isso, a comunidade internacional não deveria impor novas sanções econômicas ao país, pois elas prejudicam mais o povo que o regime.

“O governo do Irã precisa ser questionado sobre suas violações aos direitos humanos”, disse Ebadi, em discurso a uma plateia lotada, na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Genebra. “A situação dos direitos humanos no Irã está se deteriorando rapidamente. (...) Todo ano damos um passo para trás, e não para a frente.”

Ebadi não volta ao Irã desde 11 de junho passado, um dia antes da polêmica eleição que deu um segundo mandato a Ahmadinejad, sob graves denúncias de fraude. Na sequência, o país viveu uma histórica onda de protestos que levaram a confrontos entre policiais e dissidentes, com centenas de prisões e dezenas de mortes. A oposição estima em 80 os mortos desde junho, mas Teerã admite menos de 40.

Como alternativa que a advogada considera “úteis’’ para sufocar o regime de Ahmadinejad estão a proibição de venda de armas ou de tecnologia por parte de multinacionais como a Siemens e a Nokia. Conforme Ebadi, essa tecnologia é usada pelo governo para bloquear acesso à internet e a celulares durante manifestações.

“Sou contra as sanções econômicas ou um ataque militar, mas, se o governo iraniano segue violando os direitos e ignorando as demandas do povo, então começarei a apoiar as sanções políticas’, afirmou.

Pedido a Lula

Ebadi declarou que, se o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva visitar o Irã em maio, deveria falar não só com os governantes, mas também com opositores, familiares de detidos e ativista.

“Eu acredito no diálogo. Por que não uma visita do presidente brasileiro a Teerã?”, sugeriu a militante pelos Direitos Humanos em reunião na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra. Na segunda-feira o Conselho de Direitos Humanos da organização avaliará a situação da República Islâmica.

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Líder supremo elogia manifestações

Teerã - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, elogiou ontem o comparecimento em massa nas manifestações organizadas ontem pelo governo para marcar a Revolução Islâmica de 1979, e alertou o Ocidente para “deixar de colocar obstáculos” ao seu país.

De acordo com a TV estatal, Khamenei agradeceu aos “milhões” que foram às ruas em todo o país para marcar o aniversário, dizendo que a mobilização mostra a força do povo iraniano.

Khamenei disse que os atos de anteontem foram um alerta para os “inimigos domésticos e grupos que dizem representar o povo”. Ele fez ainda um alerta aos países do Ocidente, dizendo que é hora de “os inimigos estrangeiros abandonar seus esforços inúteis para subjugar o Irã”.

“Os últimos 31 anos não são suficientes para convencer alguns poucos e arrogantes Estados a deixar seus esforços inúteis de dominar essa nação islâmica’’, disse Khamenei no discurso.

Durante as celebrações de anteontem, forças de segurança reprimiram protestos anti-governo em Teerã. Policiais entraram em confronto com ativistas da oposição, lançando bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los e detendo centenas deles.

Grupos radicais e agentes de segurança impediram que o líder da oposição Mir Hossein Mousavi e sua mulher, Zahra Rahnavard, participassem de um ato contra o governo.

Radicais também atacaram o carro de outro líder oposicionista, Mahdi Karroubi, quebrando as janelas do veículo.

No entanto, as manifestações foram bem menos violentas que as ocorridas no Irã em dezembro passado, quando oito morreram e centenas foram detidos em todo o país.

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Foto de protestos no Irã é eleita a melhor de 2009

Amsterdã - O fotógrafo italiano Pietro Asturzo, 29 anos, gastou as magras economias para ir ao Irã por conta própria com a ideia de registrar o agitado clima social que antecedeu a eleição presidencial de 12 de junho. Não bastasse a falta de recursos e estrutura, Asturzo passou três dias na cadeia por fotografar marchas oposicionistas. Temendo ser novamente preso, passou a trabalhar escondido. Uma das imagens lhe rendeu ontem o principal prêmio internacional de fotografia.

A World Press Photo, ONG com sede em Amsterdã, Holanda, atribuiu o principal prêmio de 2009 a uma imagem que captura a coragem de uma mulher no terraço de um prédio residencial de Teerã gritando “Allah Akbar” (Deus é o maior) - frase que se tornou símbolo da revolta contra a reeleição supostamente fraudulenta do conservador Mahmoud Ahmadinejad. Há duas outras mulheres no terraço, nenhuma delas identificada. As três aparentam ser jovens e usam véus escuros.

A foto foi tirada na madrugada de 24 de junho, após mais um dia de repressão policial aos protestos oposicionistas. Asturzo estava hospedado na casa de amigos quando começou a ouvir os gritos. Pediu que traduzissem o que a mulher dizia, pegou a câmara e flagrou a cena, que não foi reproduzida por nenhum grande jornal.

Segundo o júri, a imagem captada, “além de ser bela, capta a tensão e a emoção do momento em que os protestos começaram a intensificar-se”.

O júri da World Press Photo, que passou duas semanas analisando 101.960 imagens captadas por 5.847 profissionais de 128 países, distinguiu este ano 63 fotógrafos de 23 países. Entre os vencedores está o brasileiro Daniel Kfouri, terceiro colocado na categoria Esportes graças à foto de um skatista se movimentando no ar após um salto em São Paulo.