Curitiba - Quatro pessoas tiveram ferimentos leves durante um confronto entre integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e funcionários e familiares de um ex-oficial da Polícia Militar do Paraná que disputa a posse de terra com os acampados no interior do Estado. O conflito aconteceu na zona rural de Ponta Grossa (120 km de Curitiba) na tarde de ontem.
Os sem-terra disseram que reagiram “em nome da própria segurança’’ quando o tenente coronel reformado da PM Valdir Copetti Neves, que reivindica na Justiça a área como sua, mandou funcionários atirarem em direção ao acampamento do MST montado no imóvel.
As barracas foram erguidas durante a invasão de cerca de 200 pessoas do movimento, há nove dias. O MST pede a inclusão do imóvel de 600 hectares, conhecido como Fazenda São Francisco 2, no plano de reforma agrária.
Já os integrantes da família de Neves disseram à polícia que foram os sem-terra que começaram as agressões ao tentar aumentar a área invadida, desrespeitando uma linha divisória criada para separar os dois lados de um possível confronto. Os sem-terra rebatem dizendo que “capangas” é que resolveram diminuir o tamanho da linha divisória para tentar intimidar os moradores do acampamento.
Os feridos - Neves, uma de suas filhas e dois de seus funcionários - tiveram escoriações pelo corpo, segundo a PM de Ponta Grossa, no confronto físico com os sem-terra, ocorrido por volta das 16h de anteontem. Apesar disso, ninguém foi preso.
Conflito no Paranapanema
Seguranças armados tentaram ontem expulsar dissidentes do Movimento dos Sem-Terra (MST) da fazenda São João, em Mirante do Paranapanema, no Pontal, extremo oeste do Estado. Os sem-terra, que ocupavam a estrada de acesso à fazenda, reagiram. O conflito foi intermediado pela Polícia Militar.
Ocoordenador local dos sem-terra, João da Silva, disse que os jagunços contratados pela fazenda ameaçaram voltar à noite para “liquidar” quem estivesse no local. Ele disse que os homens tinham “armas compridas”, possivelmente carabinas e espingardas de calibre 12. A PM informou que os seguranças portavam armas registradas e eram funcionários de uma empresa de segurança legalizada.
O líder dos sem-terra José Rainha Júnior acusou os jagunços de tentar despejar à força os sem-terra. “Eles não entraram na fazenda e têm direito de ir e vir garantido pela Constituição.” De acordo com Rainha, a fazenda é objeto de ação discriminatória por estar em área de terras devolutas. Ele acusou a União Democrática Ruralista (UDR) de incentivar os fazendeiros a se armarem. “A UDR segue a cartilha da senadora Kátia Abreu (senadora e presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil), que prega o conflito.”