Brasília - Preso por obstruir as investigações do mensalão, o governador afastado do DF, José Roberto Arruda, agora é também suspeito de usar a estrutura da Polícia Civil para monitorar promotores do Distrito Federal que atuam no caso.
Segundo os jornais “O Globo” e “Correio Braziliense”, policiais da Operação Caixa de Pandora apreenderam entre os pertences do governador um papel apócrifo com a relação de cinco investigações preliminares que, em sigilo, o Ministério Público fazia em setores do governo distrital.
O secretário Valmir Lemos (Segurança) - que esteve reunido na tarde de sábado com Arruda - disse que ainda não foi informado da suspeita. “Não sei qual é o fato que esta sendo apurado. Se houver algo, deve ser apurado com tranquilidade até porque o Ministério Público e a Polícia Federal devem ter elementos concretos que podem justificar essa situação”, afirmou. A procuradoria, por sua vez, não comentou a notícia.
A suspeita de que o governador espionava aliados e adversários ganhou força no início do mês quando dois policiais civis de Goiás foram presos acusados de monitorar parlamentares. Em depoimento à Polícia Civil de Goiás, em deles, Luiz Henrique Ferreira, negou que tivesse sido pago para grampear deputados distritais, mas para analisar vídeos que fazem parte do inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre o mensalão.
O policial disse ter sido avisado que o serviço tinha sido encomendado pelo próprio governador. A Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Civil de Goiás abriram inquérito para apurar a denúncia.
Prisão vira atração
A prisão do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), virou atração na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, na manhã de ontem. Várias pessoas foram até o local para levar presentes ou até mesmo protestar.
Um homem identificado como Adilson tentou entregar um livro de poesias intitulado “Coletânea Poética do Guará” ao governador, mas foi barrado na portaria pela segurança da PF.
A professora Anita Grossi - que tem o mesmo sobrenome do advogado de Arruda, José Gerardo Grossi, mas negou ser parente dele - também tentou visitar o governador afastado, mas foi impedida. Ela chegou a argumentar que teria o nome na lista de pessoas autorizadas, mas sua entrada não foi liberada. “Por que só ele? Outros 10 mil tinham que estar aqui. Os porões do PT são piores que os da ditadura”, afirmou Anita Grossi, antes de deixar o local.
Por volta de 13h10, o cunhado de Arruda, Fábio Peres, levou almoço para o governador. Peres disse apenas que trazia arroz com carne, mas não quis dar mais detalhes da refeição. Outro barrado na porta da PF foi o presidente interino do DEM no Distrito Federal, o deputado Osório Adriano, que queria visitar o governador. Segundo a PF, a entrada foi negada porque o nome de Adriano não constava na lista de pessoas autorizadas a visitar o governador no domingo de Carnaval.