10 de julho de 2026
Cultura

Gigante adormecido acorda para a folia

Por Mariana Meira | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Desde os dias 24 e 25 de fevereiro de 2001 não se ouviam mais gritos nem aplausos no Sambódromo, inaugurado no final de 1990. A avenida manteve-se em silêncio durante oito anos, tempo o suficiente para o local sofrer sérias degradações. Os sambas de enredo, a animação e a alegria carnavalescas deram espaço ao vandalismo, ao lixo, entre outros problemas. Em pleno fevereiro de 2010, no entanto, os bauruenses se surpreenderam. O que estava deixado de lado durante todo esse tempo pareceu voltar com tudo. Conforme fora prometido, a verdadeira reforma do Carnaval de Bauru fez a plateia vibrar com as atrações e os desfiles. De bebês a idosos, não houve quem não curtiu a energia positiva. Entre requebrados, cores e fantasias, os gritos e aplausos do público mostraram não só a satisfação de participar da festa, mas a alegria de receber de volta o que estava adormecido.

É o que pensa também o prefeito Rodrigo Agostinho. Cheio de expectativa, o político expressa sua gratificação. “Ficamos contentes, porque durante o ano todo ajudamos a organizar as escolas. A confiança era muito grande.”, conta. O prefeito destaca também a dedicação de suas esquipes na reforma da passarela: “Havia entulho, lixo, toda a fiação elétrica havia sido furtada. Nos esforçamos para recuperar e reformar. Durante quase trinta dias, mais de cem pessoas trabalharam na reforma. E a população atendeu ao chamado.” O custo total: R$ 25 mil. Irrisória pela quantidade de gente que se divertiu numa maratona de 13 horas seguidas.

Quem veio do alto para confirmar a empolgação foi o paraquedista Paulo Assis. Sonhador desde jovem e atualmente um dos maiores profissionais em paraquedismo do País, ele mostrou suas habilidades na noite de Carnaval. Após soltar fogos de artifício coloridos no céu e atrair a atenção de todo o público, Paulo aterrissou minuciosamente passarela adentro. “Tem que tomar cuidado. Mas é inegável que numa situação dessa, se concentrando, fazendo a coisa correta e com técnica, o público gritando, tudo sai como o esperado. Toda a euforia contamina agente.”, diz. E ainda acrescenta: “A sensação de saltar é difícil de descrever, mas esperamos passar essa emoção ao público, nesse momento tão importante por que Bauru está passando.”

Com a plateia aquecida e preparada para sambar até altas horas, entraram os blocos e escolas. Exibindo cores exuberantes, fantasias criativas e soltando o ansioso som carnavalesco, os grupos atravessaram a passarela a todo vapor. Para perceber a emoção geral, bastava olhar para os rostos, os pulos e os confetes espalhados no chão. Aproveitando a festa e com o samba no pé, a drag queen Natasha Toledo, do bloco “Unidos da Diversidade”, conta a sensação de desfilar: “Super animado. É a primeira vez que estou desfilando e está muito legal.” Os colegas Sasuke Oliveira e Yude Garcia, do mesmo bloco e vindos de Londrina, contam que valeu a pena a viagem. “Estamos todos muito animados”, diz.

Além de todas as atrações da noite, os convidados puderam contar com duas ambulâncias; distribuição de água potável pelo DAE, oito banheiros químicos e, para garantir a segurança, a presença de representantes da Polícia Militar, equipe de seguranças e o Grupo de Operações de Trânsito (GOT). Toda a organização fez ainda mais as arquibancadas e os camarotes se sentirem em casa.

Foi em meio a esse clima de euforia que os bauruenses amantes de carnaval, esperançosos durante oito anos, receberam a recompensa. Para os habitantes, o Carnaval bauruense nunca deixou de existir; estava apenas aguardando aquela força extra para acordar e seguir em frente. Não há dúvida de que, depois dessa noite toda pulando, cantando e vibrando, a própria população é o combustível de que o Carnaval precisava para abastecer o ânimo, renovar a esperanças e colocar os carros alegóricos em movimento. Concorrentes ou não, blocos e escolas estão unidos pelo samba, e sairão todos vencedores. Essa é a certeza, cada vez maior, de que Bauru realmente é uma cidade sem limites para a alegria.