08 de julho de 2026
Esportes

Corpo de Washington é enterrado em Bauru

Wanessa Ferrari e Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Em meio a muitas lágrimas e abraços apertados, Evelyn Cristina de Paulo Avelino, 33 anos, recepcionava amigos, parentes e admiradores que chegavam ao velório de seu pai, o famoso jogador da década de 1970, Washington Luiz de Paulo, 56 anos, coordenador de futebol da Associação Luso-Brasileira de Bauru, morto em decorrência de complicação renal. Palavras de consolo, saíam dolorosamente da boca dos que foram prestar suas últimas homenagens àquele que chegou a ser conhecido como o substituto do Rei Pelé. Dentre elas, definições como amigo, leal, alegre e ativo predominavam os sentimentos de pesar.

O corpo do ex-atleta do Noroeste foi velado no salão nobre da Luso-Brasileira, de onde saiu às 16h, para sepultamento ontem no Cemitério da Saudade, de Bauru. Durante o velório, o sogro de Evelyn, Antônio Avelino Cruz, 62 anos, passou mal e morreu.

Antes de perder também o sogro, Evelyn conversou com a reportagem e disse que o pai dela sempre foi uma pessoa muito boa e ativa. “Quando ele apresentou os primeiros sintomas da doença fizemos de tudo para ajudá-lo, mas ele nunca se conformou em ter de ficar na cama. Só tenho lembranças boas do meu pai. Nenhuma reclamação”, resume a filha. O ex-jogador já vinha doente desde outubro do ano passado.

Washington morreu na noite de segunda-feira, com o agravamento do quadro de insuficiência renal. Ele estava internado no Hospital de Base desde 14 de novembro do ano passado, quando inicialmente apresentou um quadro de problema cardíaco. Posteriormente foi diagnosticado o problema nos rins e Washington permaneceu internado, fazendo sessões de diálise e aguardando um transplante, que não poderia vir dos filhos por não serem compatíveis.

No último domingo o jornal Segunda-Feira do JC dedicou três páginas em homenagem ao craque, que fez história ao ser convocado para atuar ao mesmo tempo na Seleção Brasileira Principal e na Seleção Olímpica, além de ter atuado no Noroeste, Guarani e Vitória da Bahia.

Dentre as histórias relembradas pelo craque, está a da renovação do contrato dele com o Vitória da Bahia. Na ocasião, após várias tentativas frustradas de negociação da permanência dele no clube, o diretor Flávio Cavalcante teria aberto uma pasta sobre a mesa contendo um revólver, obrigando o jogador a assinar as folhas em branco. A solução encontrada por ele foi armar um plano de fuga.

Ele foi o primeiro jogador do Interior de São Paulo e do País a ser convocado para a Seleção Brasileira, abrindo a porta para outros. Também jogou no Corinthians, onde atuou por 24 jogos, em 1974.

Iniciou a carreira de jogador nas escolinhas do Noroeste, comandada por Crisanto Alves. Ele foi titular dos times até 1971, quando foi levado pelo Guarani, de Campinas, onde alcançou projeção.

Pela Seleção disputou os Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha, e a Copa Independência, realizada no Brasil, em comemoração aos 150 anos da Independência do País. O Brasil sagrou-se campeão ao vencer, no Maracanã, Portugal por 1 a 0.

E foi no futebol que Washington fez história e marcou a vida das pessoas que com ele conviveram. “Um grande vazio” é a definição dada pelo ex-jogador Dernival Fonsati, o Dede, para o que sentiu no momento em que soube do falecimento do colega. O sentimento é compartilhado pelo também amigo Marcos César, o Pato.

“O Washington fazia diferença na vida das pessoas com sua alegria. Me lembro uma vez que estávamos todos concentrados no Hotel Fenícia, em 1985, quando o nosso Noroeste iria disputar uma partida com o Palmeiras. Estávamos todos tensos até que o Washington chegou todo animado e nem se deu conta de que entre nós havia uma porta de vidro fumê, e acabou trombando. Foi o suficiente para descontrair o pessoal”, recorda Pato. Na Vila Falcão, ele era conhecido por “Austin” na década de 60.

Washington deixa, além de saudades e boas lembranças, os quatro filhos Wellington Luiz de Paulo, 36 anos, Evelyn Cristina de Paulo Avelino, 33 anos, Gilcimara de Paulo, 31 anos, e Everton Luiz de Paulo, 26 anos, a esposa Marisa Montanari de Paulo, 57 anos, e cinco netos.

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Filha perde o pai e o sogro

Durante o velório no salão nobre da Luso-Brasileira, Antônio Avelino Cruz, 62 anos, sogro de Evelyn Cristina de Paulo Avelino (filha de Washington), passou mal. Emocionado com a morte do jogador Washigton, Avelino não resistiu e morreu ainda pela manhã.

O corpo está sendo velado no Centro Velatório Terra Branca, na Vila Falcão. O enterro está marcado para as 10h30 de hoje no Cemitério do Jardim Redentor.