09 de julho de 2026
Internacional

Ahmadinejad diz que acordo nuclear é possível e alerta que reage a sanções


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Teerã - Em mais um discurso dúbio, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que está disposto a um acordo para troca de urânio por combustível nuclear, mas alertou que o país responderá de maneira dura a qualquer nova sanção pelos avanços de seu programa nuclear.

“Se alguém criar problemas ao Irã, nossa resposta será como as do passado. Será dura o suficiente para fazê-los se arrependerem”, advertiu Ahmadinejad, em entrevista, diante da campanha norte-americana para a aprovação de uma nova rodada de sanções da ONU em reação ao recente anúncio iraniano de enriquecimento de urânio a 20%.

O discurso duro de Ahmadinejad acontece um dia após a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pedir à Arábia Saudita ajuda para convencer a relutante China a aprovar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Clinton disse que uma nova rodada de sanções deve ter como alvo a Guarda Revolucionária, que, segundo ela, está comandando o país como uma ditadura militar.

Apesar da campanha internacional, o ultraconservador presidente sabe que os iranianos aprenderam a burlar as três rodadas de sanções da ONU já impostas ao país - e que acabaram trazendo efeitos negativos ao Ocidente, como estimular o mercado negro e beneficiar os líderes iranianos devido à irritação da opinião pública.

Acordo

As potências ocidentais ofereceram em outubro passado um acordo no qual o Irã enviaria boa parte de seu urânio enriquecido a 3,5% para a Rússia e França. Em troca, receberia urânio a 20%, suficiente para a produção de isótopos médicos e bem abaixo dos 90% necessários para a produção de uma bomba nuclear.

Apesar do discurso do iraniano, a Agência Internacional de Energia Atômica nunca recebeu uma resposta oficial de Teerã, que anunciou na semana passada que começou a produzir seu próprio urânio a 20%.