Enquanto parte das grandes redes de farmácias contestam na Justiça a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que manda colocar remédios vendidos sem receita atrás do balcão, outros estabelecimentos já se adequam às novas regras. Um deles, instalado na Vila Antártica, em Bauru, decidiu se antecipar e retirou os medicamentos isentos de receita um mês antes de a legislação entrar em vigor.
“Tiramos os analgésicos, antigripais e antitérmicos da área de circulação dos clientes e colocamos dentro de um balcão de vidro. É um trabalho a mais para os funcionários, mas vejo como uma mudança positiva. Os consumidores estavam abusando do uso de medicamentos”, analisa a farmacêutica Giovana Gonçalves de Aguiar.
Ela conta que, frequentemente, clientes compravam remédios de marcas diferentes para tratar de um mesmo problema. “É o caso do antigripal, por exemplo. A pessoa acha que, misturando vários medicamentos, vai se curar mais rapidamente, e nem imagina que está errada. Consultando o farmacêutico no balcão, esses equívocos serão mais raros”, acredita.
Na opinião da farmacêutica Natália Romero Macario, a partir do momento que os medicamentos que não necessitam de receitas voltarem para trás do balcão, os farmacêuticos poderão exercer seu papel principal, que é o de orientação.
Com a regra antiga, as pessoas entravam na farmácia, aproximavam-se das gôndolas do lado de fora do balcão, pegavam medicamentos como analgésicos e antitérmicos, que são isentos de prescrição médica, dirigiam-se ao caixa, pagavam pelo produto e iam embora.
Com as mudanças estabelecidas pela resolução da Anvisa, esses medicamentos deverão ser colocados para trás do balcão. Assim, para ter acesso aos mesmos analgésicos e antitérmicos, os clientes terão de solicitar aos funcionários da farmácia. Segundo Natália, esse será o momento para o farmacêutico conversar com o cliente.
Ela lembra que a prática da automedicação é muito forte na população. E nem sempre o que fez bem para o vizinho ou para o amigo vai ter o mesmo efeito em outra pessoa. “Acredito que essa mudança vai diminuir a automedicação porque nós teremos a oportunidade de orientar os clientes quanto ao uso racional dos medicamentos”, diz.
A resolução da Anvisa determina que só podem ficar nas gôndolas, com livre acesso, produtos fitoterápicos e de perfumaria. Alimentos só os funcionais, como a granola.
Para a farmacêutica, a população será a grande beneficiada pelas mudanças, especialmente com a volta da aferição da pressão e da medição da taxa de glicose às farmácias. Atualmente, legalmente, esses serviços eram feitos exclusivamente nos postos de saúde, o que dificulta o acesso da população, na opinião dela. Quase todo bairro tem uma farmácia por perto, algo que não ocorre com os serviços de saúde.
Por conta desse acesso mais fácil, as pessoas podem começar a procurar pelos serviços com mais regularidade. Natália conta que, às vezes, o que parece ser uma simples dor de cabeça pode ser sintoma de algo bem mais grave. A verificação da pressão poderia evitar o pior, apressando a busca por atendimento médico adequado.