11 de julho de 2026
Turismo

Ilhabela: O paraíso na mata atlântica

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de 1 milhão de turistas já estiveram em Ilhabela neste verão. Os transatlânticos que estão fazendo cruzeiros na costa brasileira têm 150 escalas programadas para despejar passageiros nas praias de águas calmas da ilha. Durante o Carnaval, os hotéis e pousadas trabalharam com lotação esgotada, principalmente de paulistanos flagelados por mais de 40 dias de chuvas e saudosos de sol pleno.

As chuvas no Litoral Norte não foram tão inclementes quanto as que castigaram o planalto. Na Vila, como é chamado o centrinho da ilha, na terça-feira gorda cumpriu-se uma tradição de 60 anos com o Banho da Doroteia. Os foliões travestidos terminam o desfile no píer, com um mergulho nas ondas do mar.

Daqui para frente as coisas se acalmam um pouco e os preços ficam mais acessíveis, pelo menos até julho, quando Ilhabela vira a Capital da Vela, com a presença de iatistas do Cone Sul e também do Hemisfério Norte. É o mais importante encontro dos amantes da vela da América Latina.

A maior ilha oceânica do continente é um lugar para ambientalista nenhum botar defeito. São 336 quilômetros quadrados de superfície com 85% da mata atlântica preservada. Ao longo dos 128 quilômetros de costa, são 41 praias quase intocadas, onde o azul turquesa das águas cristalinas e o verde das matas que sobem os morros nos oferecem paisagens de cartões postais.

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Quedas d’água

Ilhas costumam ser áridas, como a de Fernando de Noronha, sem fontes de água potável perenes, mas Ilhabela tem 360 mananciais que descem das montanhas, formando igual número de cachoeiras e piscinas naturais no final de cada queda d’água.

A Cachoeira da Toca tem a forma de um tobogã natural, que faz a delícia dos turistas. Crianças e adultos deslizam pelas pedras até o tchibum na piscina natural de águas transparentes, em meio à mata fechada. Os borrachudos são mantidos à distância com um pouco de óleo de cozinha e de citronela espalhados pelo corpo.

Ilhabela possui ainda outras riquezas que até hoje são aos poucos descobertas pelos próprios habitantes e frequentadores. O paraíso tropical oferece emoções fora de estrada e nas trilhas que sobem e descem montanhas.

Uma dessas trilhas dá no Bonete, uma pequena comunidade caiçara que fica numa praia intocada, selvagem, cercada pela Mata Atlântica, do lado que dá para o mar aberto. É a porção mais bonita, mais autêntica, mais sensacional da cidade, talvez de todo o litoral norte paulista. Um daqueles lugares para se ver antes de morrer.

É preciso um pouco de coragem e espírito de aventura. Os borrachudos perturbam, não tem luz elétrica, supermercado, ruas, liquidação, guarda-sóis. A trilha tem quatro quilômetros, desde a Ponta de Sepituba (lado esquerdo de quem desce da balsa), com três lindas cachoeiras no caminho. Se o mar estiver calmo dá para ir de lancha, que sai da praia do Curral.

Na única pousada, o próprio dono, o Daniel, serve o pescado do dia e o que está melhor na horta. Existem 36 comunidades em toda a ilha. Pequenas vilas de pescadores que ainda conservam hábitos e costumes do início do século, mas que sabem tratar muito bem o visitante.

O turismo ecológico é o forte de Ilhabela e seus habitantes valorizaram os cuidados ambientais desde criancinhas, como se o seu próprio destino dependesse da conservação do meio ambiente, o tesouro maior do lugar.