09 de julho de 2026
Turismo

Praias que valem o passeio

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Do lado do mar aberto de Ilhabela vale a pena conhecer a Praia dos Castelhanos, onde só se chega de veículos 4X4 por uma estrada ruim de terra, de 22 quilômetros. O clima é parecido com o Bonete: Castelhanos também é uma vila de pesadores, tem um mar lindo, cheio de surfistas e muitos borrachudos. Repelente é um acessório indispensável. As agências locais vendem o passeio de jipe. Procure o Samuca e combine o preço (12-38961222).

A Praia do Curral parece eternamente em festa. Tem um quê de Ibiza. O dia inteiro tocando música lounge. Dois hotéis cinco estrelas dão para o Curral com serviços de bar na areia. Um deles é o novíssimo Yacamim, um hotel-boutique, como se diz, cheio de bangalôs. Até a imprensa europeia tece rasgados elogios para a praia, considerada uma das mais cools do planeta.

Na Praia do Viana, um misto de quiosque e restaurante tornou-se célebre por sua casquinha de camarão. Depois vem Siriuba e Pedra do Sino, assim chamada porque as pedras têm alto teor de ferro e soam como um sino uma vez marteladas. Não sei até quando elas vão resistir depois de anos e anos de tanta martelação.

Todo mundo quer ouvir o som emanado das pedras... Um milhão de turistas todo verão. Haja marretadas. Alberto Cavalcanti supervisionou e Adolfo Celi dirigiu um filme nesse lugar – “Caiçara” – um dos melhores já produzidos no Brasil. Isto em 1950, pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

A Praia da Armação, perto da Praia do Pinto é a última com estrada asfaltada. Dali, só de jipe ou de veículos de tração 4X4 para vencer os topes da estradinha de terra que vai dar na Praia do Jabaquara. A paisagem da orla é lindíssima, vista do alto.

Selvagem e famosa pelos borrachudos, Jabaquara tem boa estrutura, dois bons restaurantes e oferece banho de bica com água doce. Dá para encarar com um bom repelente em doses generosas distribuídas pelo corpo a cada duas horas. Assim mesmo se você for alérgico ou sensível às picadas de insetos é melhor procurar outro lugar.

Ao longo da costa de Ilhabela existem 18 navios naufragados que fazem a delícia dos mergulhadores. Um deles é o espanhol “Príncipe das Astúrias”, na Ponta do Boi. Nesse naufrágio de 1916 morreram centenas de passageiros.

O “Astúrias” era um dos grandes transatlânticos da época. Segundo a lenda, as pedras de alto teor de ferro e, por isso, magnéticas, provocam erros de vários graus nos ponteiros das bússolas. Em noites de nevoeiro ou tempestades (na época não tinham inventado o radar), os timoneiros perdiam a rota e levavam os barcos rumo aos rochedos. Na Ponta do Boi, hoje, existe um farol para orientar a navegação.

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Uma ilha de muitas histórias

Ilhabela já era habitada antes da chegada de Cabral ao Brasil, conforme os indícios pesquisados em 14 sítios arqueológicos. Os paleontólogos garantem que data de 500 a.C. a presença de indígenas pescadores na ilha, povos que ainda sequer dominavam a agricultura e a cerâmica. Alimentavam-se de animais marinhos, frutos e raízes encontrados na natureza.

Quando a expedição de Gonçalo Coelho aportou na ilha, em 1502, ela era habitada por índios tupis antropófagos. Américo Vespúcio, o navegante italiano que deu nome ao continente, também lá esteve. Em 1608, chegaram os primeiros colonos portugueses para plantar fumo, arroz, feijão e mandioca. Estabeleceram-se os primeiros engenhos de açúcar e foram trazidos escravos de Angola até o século 19.

Todos os documentos históricos são unânimes em elogiar as belezas da ilha e o fato de ter água boa e frutos comestíveis na natureza.

Os piratas fizeram do território um abrigo seguro para suas investidas no continente. Lá estiveram Thomas Cavendish, Francis Drake e Douguay-Trouin, famosos caçadores de tesouro que atormentaram navegantes portugueses e espanhóis desde o Atlântico Sul até o Caribe.

A primeira povoação chamou-se Vila Bela da Princesa, em homenagem à Princesa da Beira, Maria Thereza de Bragança, filha mais velha de D. João VI e Carlota Joaquina. Irmã, portanto, de Pedro I.

A ilha, na verdade, tem o nome de São Sebastião. Para não confundir com a cidade do mesmo nome, bem em frente, passou-se a chamar Ilhabela em 1945. Getúlio queria batizá-la como Ilha Formosa, mas a população disse “não”.

Os ilhéus fabricaram cachaça até 1975 quando essa atividade econômica decaiu. Os caiçaras cultuam suas devoções aos santos com a Procissão de São Pedro e a Congada da Festa de São Benedito. A imagem do Bom Jesus, na praia de Garapocaia, é venerada desde 1647.

Os caiçaras são produtos do cruzamento dos colonos portugueses com índios tupis, cientificamente chamados de mamelucos. São pessoas sempre dispostas a receber bem os visitantes. Nas comunidades não faltam peixes frescos assados na brasa. De comer com a mão e lambuzar os beiços.

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Parque Estadual de Ilhabela

O Parque Estadual de Ilhabela abrange as 12 ilhas, dois ilhotes e duas lajes do arquipélago com 27.025 hectares. Significa que 85% da superfície de mata atlântica estão preservados. Foi criado em 1977 e foi reconhecido pela Unesco como Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Ao longo das suas trilhas é possível observar outros ecossistemas, como restingas e grandes extensões rochosas, conferindo características únicas à paisagem. A fauna tem espécies típicas da mata atlântica, que é também refúgio de aves migratórias. Na área de reprodução de aves marinhas foram catalogadas 248 espécies.

Nos limites do parque vivem cinco comunidades caiçaras tradicionais. A arquitetura, as festas folclóricas e o artesanato mantêm vivas as tradições.

O parque apresenta muitas opções de lazer a seus visitantes. Trilhas, banhos de cachoeiras, mergulho, passeios em jipe e passeios de barco. A Trilha da Água Branca, com 4.400 metros, tem pontos de observação da fauna e da flora. São cinco “piscinas” naturais com queda d’água. O fim da estrada percorrida de jipe dá na Praia de Castelhanos.

A Trilha da Cachoeira do Veloso, com 4.000 metros, passa por uma cachoeira de 60 metros de altura. Trilha da Cachoeira Pancada D’água, auto-guiada, tem 510 metros e passa por três cachoeiras. A maior delas tem 26 metros de altura e queda com grande volume de água. Vale a pena conhecer as trilhas, pelo menos as mais fáceis e curtas.

As Trilhas Baepi, com 7.400 metros e a Trilha do Bonete, com 20 quilômetros exigem monitor credenciado. A entrada no Parque é gratuita e as visitas monitoradas devem ser agendadas com antecedência (12-3896-2585).